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26 de outubro de 2011

A Princesa com Cabeça de Porco



Oisin (também escrito Ossian), o lendário herói céltico e poeta, casa-se com uma princesa que, através de uma magia druida foi amaldiçoada a ter cabeça de porco.
Cruz celta
Havia um rei em Tir na n-Og (Terra da Juventude), que ocupava o trono e a coroa por muitos anos contra todos os que a cobiçavam.  E a lei do reino era que a cada sétimo ano, os campeões e melhores homens do país deveriam concorrer ao cargo de rei. Uma vez a cada sete anos, todos se reuniam na frente do palácio e corriam para o alto de uma colina duas milhas distante. No topo da colina tinha uma cadeira, e o homem que conseguisse sentar na cadeira primeira, seria o rei de Tir na n-Og pelos próximos sete anos.Depois que ele governou durante eras, o rei começou a ficar ansioso. Ele tinha medo que alguém pudesse se sentar na cadeira diante dele e tomar a coroa de sua cabeça. Então, um dia ele chamou seu druida e perguntou: “Por quanto tempo devo ficar nessa cadeira para governar esta terra, e se algum homem sentar-se nela antes de mim e tomar a coroa da minha cabeça?”
“Você vai manter a monarquia e a coroa para sempre”, disse o druida, “a menos que seu próprio genro as tire de você.”
O rei não tinha filhos, mas uma filha, mas, a mais bela mulher em Tir na n-Og; e o igual a ela não podia ser encontrar em Erin ou qualquer reino do mundo. Quando o rei ouviu as palavras do druida, ele disse, “Eu nunca vou ter um genro, porque eu vou deixar a minha filha de um jeito que nenhum homem irá se casar com ela.”
Então ele pegou uma vara druida  mágica, e chamando a filha diante de si, ele a golpeou com a vara, e colocar uma cabeça de porco em seu no lugar da cabeça dela.
Então ele mandou a filha de volta para o seu canto no castelo, e voltando-se para o druida “Não há homem na Terra que vá querer se casar com ela agora.”
Quando o druida viu o rosto que estava na princesa, a cabeça de porco que o pai tinha lhe dado, ele ficou muito triste por ter dado essa informação ao rei, e algum tempo depois ele foi ver a princesa.
“Devo ficar assim para sempre?” perguntou ela para o druida?
“Você precisa”, disse ele, “até que você se casar com um dos filhos de Fin MacCumhail em Erin. Se você se casar um dos filhos de Fin, você estará livre da mancha que está em você agora, e voltar a ter sua própria cabeça e rosto. “
Quando ouviu isso, sua mente ficou impaciente, e nunca descansou até que ela deixou Tir na n-Og e foi para Erin. Quando ela perguntou das pessoas, ouviu que Fin e os fenianos de Erin estavam naquele tempo vivendo em Knock an Ar, ela se dirigiui para o local imediatamente e viveu lá por um tempo. E quando ela viu Oisin, ele agradou a ela, quando ela descobriu que ele era um filho de Fin MacCumhail, a quem ela estava sempre observando, ela correu em sua direção. E era usual para os fenianos naqueles dias sair para caçar nas colinas, montanhas e nas florestas de Erin, e quando um deles ia,  sempre levava cinco ou seis homens com ele para trazer para casa o prêmio.
Um dia Oisin saiu com os seus homens e cães para a floresta, e ele foi tão longe e matou tanta caça que, quando tudo foi reunido, os homens estavam tão cansados, fracos e famintos que não podiam levá-lo, mas foram embora, deixando-o com os três cães, Bran, Sciolán e Buglén, para cuidar de tudo sozinho.
Agora a filha do rei de Tir na n-Og, que era a própria rainha da Juventude, seguia de perto a caçada por todo o dia, e quando os homens deixaram Oisin ela foi até ele. Ele estava lá,  olhando para a grande pilha de caça e dizendo: “Lamento muito deixar para trás tudo o que eu tive o trabalho de matar”, ela olhou para ele e disse: “Amarre um pacote para mim, eu vou levá-lo para alivar a carga de você. “
Oisin deu-lhe um pacote de caça para carregar, e pegou o restante. A noite estava muito quente e o fardo pesado, e depois de terem caminhado a alguma distância, Oisin disse: “Vamos descansar um pouco.”
Ambos jogaram as suas cargas, e se encostaram contra uma grande pedra que estava à beira da estrada. A mulher estava suada e sem fôlego, e abriu seu vestido para refrescar-se. Então Oisin olhou e viu a sua forma bonita e seu seio branco.
“Ah, então”, disse ele, “é uma pena que você ter uma cabeça de porco em você, pois eu nunca vi tal aparência de uma mulher em toda a minha vida antes.”
“Bem”, disse ela, “meu pai é o rei de Tir na n-Og, e eu era a mais requintada mulher do seu reino e o mais bela de todos, até que ele me jogou uma magia druida e deu-me a cabeça de porco que está em mim agora no lugar da minha própria.  E o duida de Tir na n-Og veio falar comigo depois e me disse que se um dos filhos de Fin MacCumhail se casasse comigo, a cabeça do porco iria desaparecer, e eu deveria voltar a ter meu rosto da mesma forma como era antes, antes de meu pai me surpreender com a varinha do druida. Quando eu botei isso na cabeça, não parei até que cheguei a Erin, onde encontrei o seu pai e te escolhi dentre os filhos de Fin MacCumhail, e te segui para ver se você vai se casar comigo e me libertar. “
“Se esse é o estado em que você está, e se o casamento comigo vai te libertar do feitiço, eu não vou deixar a cabeça de porco em você por muito tempo.”
Então eles se casaram sem demora, não esperando para levar a caça para ou para tirá-la do chão. Naquele momento a cabeça de porco desapareceu, e a filha do rei, tinha o mesmo rosto e a beleza que ela tinha antes de seu pai lhe deu um soco com a varinha druida.
“Agora”, disse a Rainha da Juventude para Oisin, “Eu não posso ficar aqui muito tempo, e a menos que você venha comigo para Tir Na n-Og nós devemos nos separa.”
“Oh”, disse Oisin, “onde quer que você vá eu vou, e sempre que você voltar, eu vou te seguir.”
Então ela virou-se e Oisin a acompanhou, não voltando para Knock an Ar para ver seu pai ou seu filho.  Naquele mesmo dia, eles partiram para Tir na n-Og e não pararam, até que chegou ao castelo do pai dela.  E quando eles chegaram, já hvia uma recepção,  pois o rei pensou que sua filha estava perdida.
Nesse mesmo ano houve a escolha de um rei, e quando o dia marcado chegou no final do sétimo ano, todos os grandes homens e os campeões, e o próprio rei, se reuniram na frente do castelo para correr e ver quem deve ser o primeiro a sentar na cadeira na colina.  Mas antes que qualquer um deles estivesse na metade do morro, Oisin já estava sentado na cadeira antes dele.
Após esse dia, ninguém se levantou para correr Oisin, e ele passou muitos anos felizes como rei em Tir no n-Og.
Fonte: Jeremiah Curtin, Myths and Folk-Lore of Ireland (mitos e folclore da Irlanda) (Boston: Little, Brown and Company, 1890), pp. 230-233.
Fontes – Site:
Livro completo (em inglês):
Mais livros do autor no site do Projeto Gutemberg:

"O Castelo da mente decorado para a entrada do Buda" (Sutra Avatamsaka)


Havia, certa feita, um menino de nome Sudhana, que também desejou a iluminação e procurou seriamente o caminho da budicidade.
De um pescador aprendeu as tradições do mar. De um médico aprendeu a ter compaixão dos doentes em seus sofrimentos. De um homem rico aprendeu que a poupança é o segredo de toda a fortuna; e com isso concluiu que é necessário conservar tudo aquilo que se obtém no caminho da iluminação, por mais insignificante que seja.
De um monge que medita aprendeu que a mente pura e tranqüila tem o maravilhoso poder de purificar e tranqüilizar outras mentes. Certa vez, encontrou uma mulher de extraordinária personalidade e ficou impressionado com sua benevolência, dela aprendendo que a caridade é o fruto da sabedoria. Certa ocasião, encontrou um velho viajante que lhe contou que, para chegar a um certo lugar, teve de escalar uma montanha de espadas e atravessar um vale de fogo. Assim, com suas experiências, Sudhana aprendeu que sempre há um verdadeiro ensinamento a ser colhido e assimilado em tudo aquilo que é visto e ouvido.
Ele aprendeu paciência de uma pobre mulher, fisicamente imperfeita; aprendeu a pura felicidade, observando as crianças brincarem na rua; e de um gentil e humilde homem, que nunca desejou aquilo que os outros desejavam, aprendeu o segredo de viver em paz com todo o mundo.
Ele aprendeu uma lição de harmonia, observando a composição dos elementos do incenso, e uma lição de gratidão estudando o arranjo de flores. Certo dia, passando por uma floresta, parou à sombra de uma árvore, para repousar. Enquanto descansava, viu, perto de uma velha árvore caída, uma minúscula plantinha; deste fato aprendeu uma lição da incerteza da vida.
A luz solar do dia e as cintilantes estrelas da noite constantemente refrescavam sua mente. Assim, Sudhana aproveitou bem as experiências de sua longa jornada.
Aqueles que buscam a iluminação devem fazer de suas mentes uns castelos e decorá-los. Devem abrir, de par em par, os portões do castelo de suas mentes, para, respeitosa e humildemente, convidar Buda a entrar em sua recôndita fortaleza, aí lhe oferecendo o fragrante incenso da fé e as flores da gratidão e alegria.

Preciosa Colaboração de Marcio Barros - RJ
marciojgbarros@zipmail.com.br  

Fonte: As Mais Belas Histórias Budistas - http://www.maisbelashistoriasbudistas.com

A Princesa do Castelo Wangenbourg

Num tempo longínquo morava no poderoso castelo de Wangenbourg, na Alsácia, um senhor muito encrenqueiro e de moralidade bastante duvidosa.

Ruínas de Wangenbourg
Voltando com seus companheiros de armas de uma expedição guerreira, ele viu uma bela donzela num prado florido.

Com ramalhetes de margaridas nos braços, ela resplandecia de beleza.

O senhor quis seduzi-la de todas as formas.

Mas, além de bela, nossa princesa fora abençoada no nascimento por um poderoso anjo, e tudo nela era maravilhoso.
São Gabriel, Évora
Numerosos pretendentes quiseram conquistá-la, mas como era muito jovem para casar, recusou todos os candidatos.

O senhor de Wangenbourg aplicou todos seus jeitos para conquistar essa torre invencível...

E eis que, num belo dia, ela aceitou o pedido!

Ele lhe prometeu só amar a ela e a não desejar outros corações.

E eles foram felizes, pois malgrado as tentações da vida de grande senhor, ele respeitou a promessa.

Mas certo dia ele começou a olhar para outras moças, e recomeçou no “mentiroso” a vida de outrora.

Nossa princesa ficou fortemente magoada e até desesperada. E decidiu lavar-se da afronta na cachoeira de Nideck, que ela conhecia bem.

Mas Wangenbourg distava muito de Nideck para uma delicada princesa ir a pé.
Cachoeira de Nideck
No caminho, ela se feriu várias vezes nos espinheiros, nas pedras pontudas e nos galhos secos.

E achava que uma chama do inferno saía do chão para queimá-la. Além do mais, a densa floresta deixava passar muita pouca luz.

Quando esgotada ela chegou no alto da cachoeira, suas pernas não conseguiam manter-se em pé. E a infeliz princesa ensangüentada caiu no vazio.

Tendo seu bom anjo visto todas as suas infelicidades, chegou como um raio e a segurou na queda fatídica.

Mas o anjo disse para si mesmo:

̶  “O que farei com uma beleza desesperada, sempre procurada pelos homens?”

E então lhe veio uma idéia luminosa:

̶  “Vou levá-la para o Céu”.

Desde aquele dia, os habitantes da região dizem que uma sombra branca dança sobre a espuma da cachoeira avisando que uma tempestade está perto.