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3 de dezembro de 2011

Potencialmente versus Realmente

O pai estava vendo televisão tranquilamente, quando o filho, que brincavaà sua frente, surge com uma pergunta: 


- Pai, qual a diferença entre POTENCIALMENTE e REALMENTE? O pai pensa um pouco e responde: - Filho, faz o seguinte:


 - Primeiro, pergunta à tua mãe se por 1 milhão de dólares elafaria amor o Kevin Costner. - Depois, pergunta à tua irmã se por 1milhão de dólares ela faria amor com o Brad Pitt. - E, finalmente, pergunta ao teuirmão se por 1 milhão de dólares ele faria amor com o Tom Cruise. Quando metrouxer as respostas, eu te explico a diferença entre potencialmente erealmente. Horas depois, o filho voltou e descreveu ao pai as respostas decada um dos três: A mãe disse que nunca pensou em te trair, mas que por 1milhão de dólares, e com o
Kevin Costner, ela não pensaria duas vezes. Amana respondeu que seriam dois sonhos realizados de uma só vez: dar uma como Brad Pitt e ainda por cima ficar milionária. E, finalmente, meu irmãodisse que por 1 milhão de dólares até faria amor com o Lula, quanto mais como Tom Cruise! Então o pai respondeu: Pois é isso, meu filho. POTENCIALMENTE,a nossa família tem condições de ganhar 3 milhões de dólares. MasREALMENTE,vivemos com duas putas e um viado!


veja mais contos que possilvelmente serão engraçados

1 de dezembro de 2011

A Cigana


─ Você vai perder para poder vencer.
Esta tinha sido a resposta da Cigana que havia lido a sua mão certo dia na praça principal da cidade onde morava. Leila não conseguia entender tal mensagem, e desde então andava preocupada com a interpretação. Quando ela resolveu procurar a Cigana para ler sua mão e lhe contar sobre o seu futuro, tinha esperança de ouvir que Gerson seria somente seu. Há quatro anos era amante do seu chefe.
Algumas vezes ameaçara deixá-lo se ele não saísse de casa e assumisse publicamente o caso deles. Gerson prometia resolver o problema o mais rápido possível, pediu dois meses, quando o prazo se encerrou pediu mais dois meses, e nesse impasse estavam com quatro anos juntos. Leila sofria muito, principalmente nas festas de final de ano, natal e réveillon Gerson passava com a família, a ela cabiam às migalhas.
Eles nuca podiam aparecer publicamente, ele alegava que não seria bom para os negócios. A rotina de Leila era automática, saía de casa às seis horas da manhã, chegava ao local de trabalho meia hora depois e retornava no final da tarde. Tinha dia que não via o patrão/amante, quando isso acontecia ficava num torturante sofrimento interior, contava mentalmente as horas, para que chegasse logo a sexta-feira, dia sagrado da semana em que eles se encontravam num pequeno quarto de motel num dos bairros mais pobres da cidade.
Não estava mais agüentando a situação, mas também não tinha coragem de deixá-lo, o amava mais que as próprias decisões. Leila mantinha aquele romance mais secreto que um segredo de Estado. As amigas a indagava sobre ela nunca aparecer com um namorado, em tom de brincadeira falavam que parecia homossexual mal resolvido. Havia flagrado diversas vezes as colegas de trabalho tecendo inúmeros comentários de sua vida particular. Nada dizia e nem tentava desfazer os estragos das fofocas, sabia que entre todas, somente ela desfrutava dos prazeres proporcionados pelo patrão.
− Invejosas! Falava isso para si, como se aquela reflexão a ajudasse a ser mais feliz. Neste período fora fiel a Gerson, mesmo que para isso tivesse que pagar um alto preço. Nunca aceitara o convite de Orlando para sair. Ela sabia que ele gostava de verdade dela, desde a época da quinta série. Sempre inventava uma desculpa, prometendo aceitar na próxima oportunidade, que nunca chegava.
E assim passavam os dias: Leila presa a Gerson que nunca decidia assumir o romance. Por outro lado Orlando se prontificava a casar com ela que nunca aceitava tal proposta. Ela amava um homem que não a valorizava e desvalorizava outro homem que a amava verdadeiramente. Cada dia que passava aumentava o dilema.
A vida de Leila parecia permanecer desta forma por toda a eternidade. Mas o destino, muitas vezes muda às cartas que serão jogadas na próxima partida. E foi usada esta técnica numa certa manhã. Poucos minutos antes de sair para o trabalho Leila ligou a TV para conferir as noticias do telejornal local, como fazia todas as manhãs. Ficou pasma com a foto exibida na tela, esfregou os olhos e voltou a mirar a TV novamente, não havia dúvida era ele mesmo. Ela sentou-se no sofá, a visão ficou turva, o corpo tremia, os pulmões pediam socorro pela falta de ar. Conseguiu se controlar, porque precisava entender o que estava acontecendo. Atentamente ouviu o pronunciamento do jornalista:
            ─ O empresário Gerson Nogueira e sua amante Lindinalva foram encontrados mortos num quarto de motel no subúrbio, a principal suspeita e esposa da vítima está foragida. Quem souber o paradeiro desta mulher entre em contato pelo disk denúncia.
Enquanto o jornalista falava, a tela era preenchida por uma foto da mulher de Gerson e logo abaixo o número do disk denúncia. Leila sabia que a vítima podia ter sido ela. Ainda sentada permitiu que uma lágrima rolasse pela face, não por comoção, mas por medo e raiva por ter sido traída por Gerson com a vigarista Lindinalva. Tantos anos trabalhando juntas e nunca havia desconfiado de nada. Porém uma dúvida bailava em sua mente: será que Lindinalva sabia do caso dela com Gerson? Esta era uma pergunta que nunca teria resposta. Por fim Leila respirou pausadamente e falou:
            ─ Bem feito! ─ Ensaiou um sorriso, pegou o telefone e marcou um encontro com Orlando que ficara emocionado. Depois tomou um banho, vestiu a melhor roupa e saiu para o encontro. Só então decifrou a mensagem da Cigana: Perder para vencer! Para ela ganhar a felicidade e a liberdade era preciso perder o homem que pensava amar.
Antônio dos Anjos, mais conhecido por Viola, é escritor, poeta e presidente da Academia Afogadense de Letras.

1 de novembro de 2011

Nômades do Espaço #1


Em uma bela noite estrelada, um garoto contemplava o céu. Sua pouca idade permitia imaginar, coisas que um adulto não imaginária. Como guerras espacias, naves e talvez ele um dia pilotando uma delas. Ele só pensava nisso ultimamente, pois tinha lido uma história em quadrinho velha que achará no porão. Hoje em dia, enredos não falam mais sobre o universo com a mesmo vigor. Parece que o homem que se diz moderno perdeu a vontade de conquistar as estrelas. Agora só existem enredos sobre fim do mundo e zumbis.

Mas zinho não desistia das estrelas, queria estar mas perto delas. No tempo de seus pais e avós diziam que em 2015 os carros iriam voar, mas na época de Zinho diziam que em 2012 o mundo iria acabar. Triste o futuro de Zinho. E 2012 chegou. Todos pensaram que era bobagem o fim do mundo. Porém uns certos alienigênas apareceram dizendo coisas como:"Pode parando com essa m*4da, o planeta é nosso agora." Os humanos pensaram que eles atacariam a terra com armas lasers e tudo mais...No entanto a uni coisa que os e.ts mostraram foi um papel escrito em todas as línguas humanas, e um ziguiana. Aquele papel era um documento declarando que o planeta era deles. Eles disseram que o planeta estava sendo alugado pelos Maias, mas eles tinham deixado de pagar faz algumas centenas de anos e contrato ia até 21/12/ 2012.


Todos os lideres tentaram achar formas de provar que o planeta era nosso. Mas os alienigenas respondiam: Essa p#44a não vale nada para o conselho intergalático. Mas um cientista perguntou se haveria algum modo de comprar o plante Terra.


Um dos ETs que parecia ser o líder respondeu: Traga 7 pedras uma de cada galaxia descrita nesse mapa. Quando fizer isso o planeta será seu de novo.
E então os humanos responderam que não tinham como viajar pro espaço. Os alienigenas responderam: Mas são pobre memo Hein...Nós emprestamos uma nave.


Estava tudo preparado para os humanos partirem. Só que um cientista chmado Dr. Rupert fez alguns cálculos e percebeu que seria impossivel, ir até todos esses planetas e voltar em menos de 180 anos, então mandou crianças na nave para que elas pudessem crescer e se multiplicar no espaço. E advinha quem estava entre essas crianças: Zinho!


Será que eles conseguiram salvar o mundo? Será que os alienigenas cuidarão bem da Terrao ou escravisarão os humanos? Será que Dr. Ruppert se curará de sua emorróida? Veja no próximo episódio de...Nomades do Espaço. Crie o próximo episódio é só clikar  aqui

31 de outubro de 2011

O Alquimista do Espaço

Entre o final da idade média e começo da renascencia, numa floresta uma bola de fogo cai do céu. Alguns diziam que era um Dragão. Mas um homem saiu diante do fogo, o homem desmaia.

Momentos depois ele acorda num vilarejo. Perguntaram quem era seu nome, ele disse que se chamava Leonardo. Leonardo viveu como um ferreiro naquele vilarejo. Mas muitos desconfiavam dele. De onde ele veio?

Um garoto do vilarejo resolveu perguntar: "Senhor Leonardo, o senhor é filho de um dragão?". O ferreiro respondeu: "Não eu estava lutando com ele, e parece que fui vencido"

"Então os dragões existem?" disse o garoto.

O ferreiro estava um incomodado com as perguntas do menino mas respondeu: "Sim...Olha garoto eu não sou um ferreiro como você pensa...Eu sou um alquimista"

Garoto: Você pode salvar minha familia?

Ferreiro: O que?

Garoto: Minha família foi dominada pela peste.

Ferreiro: Se você disser onde está a minha nave...quer dizer o meu Dragão. Eu ajudo sua família.

Os dois foram até o local do suposto Dragão. Mas ele já não estava mais lá. Enquanto isso no castelo, o bispo conversava com o rei.

Rei: Que armas são essas meu bispo.

Bispo: Eu encontrei no local onde os camponeses dizem ter encontrado um dragão.

O Bispo apontou para uma nave extraterrestre. E falou esse é o corpo do dragão.

Rei: Esse não parece o dragão das lendas que eu conheço.

Bispo: É porque não é. Você não percebe isso é uma carruagem de guerra.

Rei: Parece até uma maquina voadora.

Bispo: Você não percebe. Estão querendo invadir o nosso reino.

Rei: Temos que descobrir, quem veio nessa carruagem de guerra.


Enquanto isso no vilarejo o ferreiro procurava um astrônomo. Mas todos já sabiam que o ferreiro podia curar as pessoas. Então só respondiam onde havia uma astrônomo depois que o ferreiro os curava. Porém os astrônomos que o ferreiro consultava diziam que a Terra era o centro do universo.

Mas logo chegou uma noticia até o rei: "Maria louca está curada!"

Rei: Mas como?

Bobo da corte: Dizem que foi um ferreiro. Um ferreiro misterioso, alguns dizem que ele chegou até nossas terras montado num Dragão.

Bispo: É ele...

Rei: Sim. O homem que veio na máquina voadora, deve ser um bruxo. Que atacar o nosso reino.

Bispo: Temos que queima-lo na fogueira.

Mas Leonardo o ferreiro já estava longe. Tinha finalmente achado um alquimista astrônomo que acreditava que a Terra não era o centro do universo.

O astrônomo se chamava Galileu.

O ferreiro disse: Você que diz que a Terra não é centro do universo?

O astrônomo: Pois é. E Agora eles me prenderam na minha própria casa, e querem me levar pra fogueira.

Ferreiro: Esses humanos...

Galileu: O que disse?

Ferreiro: Eu sou de outro planeta. E quero que o senhor fale qual é a localização da Terra no universo.

Galileu: Essa gripe está me matando eu devo estar delirando. Você disse que veio do espaço, que ervas você está colocando no seu cachimbo?

Ferreiro: Não. Eu tô falando sério.

Galileu: olha se eu fosse você ficaria por aqui mesmo. Os humanos são muito primitivos, qualquer coisa que você fale que contraria as pessoas de maior poder te levam pra fogueira. Tenho certeza que sua sabedoria ajudará muito a nosso povo.

O Ferreiro voltou para o seu vilarejo mas era tarde de mais os guardas da inquisição o pegaram. Felizmente quando ele estava na fogueira, lembrou que sempre levava uma capsula de teletransporte que trouxera de seu planeta na sua bolsa. Usou a capsula, o problema é que aquela capsula poderia leva-lo pra qualquer lugar no tempo espaço, ele poderia parar no meio de um buraco negro ou até do seu lado que está lendo isso no seu P.C.

Mas o mago ferreiro parou alguns anos antes, numa casa em Florença. Ficou lá escrevendo as coisas de seu planeta, desde invenções até quadros. Até morrer usou o nome de Leonardo di Ser Piero da Vinci ou apenas Leonardo da Vinci.




Autor: Allan Salles Ribeiro da Silva
31 de outubro de 2011







28 de outubro de 2011

A Estrela



Arthur C. Clarke

Estamos a 3.000 anos-luz do Vaticano. Um dia, acreditei que o espaço não tinha poderes sobre a fé, assim como acreditava que os céus proclamariam a glória da obra de Deus. Agora, já vi essa obra e minha fé se encontra seriamente abalada. Olho para o crucifixo, suspenso na parede da cabine, acima do computador Mark VI, e pela primeira vez em minha vida me pergunto se não será um símbolo vazio.
Ainda não contei a ninguém, mas a verdade não pode ser escondida. Os fatos estão lá para todos lerem, registrados em quilômetros sem conta de fita magnética e nos milhares de fotografias que transportamos de volta à Terra. Outros cientistas poderão interpretá-las tão facilmente quanto eu, e não serei eu quem vai compactuar em ocultar a verdade, fato quase sempre responsável pela má fama da nossa ordem nos velhos dias.
A tripulação já se encontra suficientemente deprimida e não sei como eles aceitarão esta ironia final. Poucos dentre eles possuem qualquer tipo de fé religiosa e, no entanto, não encontrarão prazer em usar essa arma final em sua campanha contra mim. Aquela guerrinha particular, bem-humorada, mas de fundamental importância, que transcorreu durante todo o caminho desde a Terra. Eles achavam divertido ter um jesuíta como astrofísico-chefe: o Dr. Chandler, por exemplo, nunca se acostumou com isso (por que será que os médicos são tão ateus?). Algumas vezes ele me encontrava no convés de observação, onde as luzes eram sempre reduzidas, de modo a que as estrelas pudessem brilhar em toda a sua glória. Ficava ao meu lado na penumbra, olhando através da grande janela oval para os céus que se moviam lentamente à nossa volta, enquanto a nave girava, com a rotação residual, que nunca nos incomodaríamos em corrigir.
- Bem, padre – dizia ele, afinal -, parece prolongar-se para sempre, não? Talvez alguma coisa o tenha criado. Mas como pode acreditar que essa alguma coisa tenha um interesse especial por nós e nosso mundinho miserável, nunca poderei entender.
E a discussão começava enquanto, lá fora, estrelas e nebulosas giravam em seus arcos eternos e silenciosos, além do plástico claro e sem falhas da vigia de observação.
Acredito que, em grande parte, era a aparente incongruência de minha posição que fazia a tripulação achar a coisa tão divertida. Seria inútíl eu chamar a atenção para os meus três artigos publicados no jornal de Astrofísica ou os cinco no Noticias Mensais da Real Sociedade Astronômica. Lembrava-lhes que a minha ordem era famosa há muito tempo por seus trabalhos científicos. Nós podemos ser poucos agora, mas desde o século XVIII temos feito contribuições à astronomia e à geografia que parecem fora de proporção com o número de nossos quadros. Será que meu relatório sobre a nebulosa Fênix vai pôr fim a nossos mil anos de história? Porá fim, receio, a muito mais que isso.
Não sei quem deu esse nome à nebulosa, que me parece muito inadequado. Se contém alguma profecia, é coisa que não será verificada durante vários bilhões de anos. Mesmo a palavra nebulosa é um engano: trata-se de um objeto muito menor do que aquelas estupendas nuvens de poeira – a matéria-prima das estrelas ainda por nascer – que se espalham ao longo da Via-Láctea. Na escala cósmica, de fato, a nebulosa Fênix é algo pequeno – uma tênue concha de gás envolvendo uma única estrela…
Ou o que sobrou de uma estrela …
O retrato de Loyola feito por Rubens parece zombar de mim, suspenso ali, acima dos registros do espectrofotômetro. O que tu terias feito, padre, com este conhecimento que veio às minhas mãos, tão longe do pequeno mundo que foi todo o universo que conheceste? Teria tua fé se erguido ante o desafio onde a minha falhou?
Teu olhar se perde na distância, padre, mas eu viajei por uma distância além de qualquer uma que pudeste ter imaginado ao fundar a nossa ordem, há mil anos. Nenhuma outra nave de pesquisa esteve tão longe da Terra. Encontramo-nos nas fronteiras do universo explorado. Partimos para encontrar a nebulosa Fênix, tivemos sucesso e agora voltamos com o peso de nossos conhecimentos. Quisera eu poder erguer esse peso dos meus ombros, mas é em vão que te chamo através dos séculos e anos-luz que nos separam.
No livro que seguras, as palavras são nítidas:
AD MAIOREM DEI GLORIAM, diz a mensagem, mas é uma mensagem em que não mais posso crer. Poderias ainda acreditar nela se pudesses ver o que encontramos?
Nós sabíamos, é claro, o que era a nebulosa Fênix. Apenas em nossa galáxia, a cada ano, mais de 100 estrelas explodem, queimando durante algumas horas ou dias com milhares de vezes o seu brilho normal antes de mergulharem na morte e na obscuridade. Essas são as novas normais, desastres comuns no universo. Já gravei espectrogramas e curvas de luminosidade de dúzias delas, desde que comecei a trabalhar no observatório lunar.
Mas três ou quatro vezes a cada mil anos ocorre alguma coisa, ao lado da qual até mesmo uma nova empalidece na total insignificância.
Quando uma estrela se torna supernova, ela pode brilhar brevemente mais que todos os sóis reunidos na galáxia. Os astrônomos chineses observaram isso acontecer no ano 1054 d.C. sem conhecerem a razão do que viam. Cinco séculos depois, em 1572, uma super-’ nova explodiu na constelação de Cassiopéia, tão brilhante que podia ser vista à luz do dia. E houve mais três durante os mil anos que se passaram desde.então.
Nossa missão era visitar o remanescente de semelhante catástrofe, tentando reconstruir os eventos que haviam conduzido a ela para, se possível, aprender sua causa. Entramos lentamente através das conchas concêntricas de gás que haviam sido lançadas para fora há seis mil anos e ainda se expandiam. Ainda estavam imensamente quentes, irradiando mesmo agora numa violenta luz violeta, mas eram demasiado tênues para nos causar qualquer dano. Quando uma estrela explode, suas camadas externas são impulsionadas para fora com tamanha velocidade que escapam completamente ao seu campo gravitacional.
Agora formavam essa concha oca, grande o suficiente para envolver mil sistemas solares. Em seu centro queimava o objeto pequeno e fantástico em que a estrela se tornara. Uma anã branca, menor do que a Terra e no entanto pesando um milhão de vezes mais.
As conchas de gás luminoso nos envolviam banindo a noite normal do espaço ínterestelar. Voávamos para o centro de uma bomba cósmica que detonara há milênios, e cujos fragmentos incandescentes ainda se expandiam. A imensa escala da explosão e o fato de que os resíduos já cobriam um volume de espaço com muitos bilhões de quilômetros de diâmetro roubavam à cena qualquer movimento visível. Levaria décadas para que a visão pudesse discernir qualquer movimento nesses tortuosos filamentos e redemoinhos de gás. E, no entanto, o sentimento de uma expansão turbulenta era irresistível.
Havíamos verificado nossa direção básica horas atrás e agora flutuávamos lentamente rumo à pequenina e fogosa estrela à nossa frente. Ela já fora um sol como o nosso, mas consumira em algumas horas toda a energia que a teria mantido brilhando por um milhão de anos. Agora se tornara avarenta e encolhida, reunindo seus recursos como se tentasse compensar os excessos de uma juventude perdulária.
Ninguém esperava seriamente que pudéssemos encontrar planetas. Se houvesse existido algum antes da explosão, teria sido cozido em sopros de vapor e sua substância dissolvida em meio aos resíduos da estrela. Ainda assim fizemos a busca automática, como sempre fazemos ao nos aproximarmos de um sol desconhecido. Dentro em pouco localizamos um mundo pequeno, circundando a estrela a imensa distância. Ele devia ter sido o Plutão desse desaparecido sistema solar, orbitando nas fronteiras da noite. Demasiado afastado do sol central para jamais ter conhecido a vida, sua distância salvara-o do destino que consumira todos os seus companheiros.
A passagem do fogo queimara suas rochas, dissolvendo o manto de gás congelado que devia cobri-lo nos dias anteriores ao desastre. Nós pousamos e descobrimos a Cripta.
Seus construtores se haviam assegurado de que isso ocorreria. O marco monolítico erguido acima da entrada não passava agora de um toco fundido, mas mesmo nossas fotos de longa distância já nos revelavam existir ali o trabalho de uma inteligência. Pouco depois detectamos o padrão de radioatividade, amplo como um continente, que fora embutido na rocha. Mesmo que o pilar acima da Cripta tivesse sido destruído, essa energia teria permanecido, um eterno e irremovível farol acenando para as estrelas. Nossa nave mergulhou como uma flecha em direção a esse gigantesco alvo.
O pilar devia ter uma altura de I,5 km quando foi construído. Agora parecia uma vela que se derretera até formar um monte de cera. Levamos uma semana para perfurar a rocha fundida, já que não tínhamos ferramentas adequadas para essa tarefa. Éramos astrônomos, não arqueólogos, mas podíamos improvisar. Nosso propósito original fora esquecido: esse monumento solitário, erguido com tamanho esforço à maior distância possível do sol condenado, só poderia ter um significado. Uma civilização que tinha consciência de seu fim próximo fizera ali seu último apelo à imortalidade.
Examinar todos os tesouros depositados na Cripta será trabalho para gerações. Eles tiveram muito tempo para se preparar, já que seu sol deve ter dado os primeiros avisos muitos anos antes da detonação final. Tudo o que desejavam preservar, todos os frutos de seu gênio, eles depositaram ali, naquele mundo distante, dias antes do fim, na esperança de que alguma outra raça os encontrasse, para que não fossem inteiramente esquecidos. Teríamos nos portado desse modo? Ou teríamos nos perdido em nossa própria autocomiseração, incapazes de pensar num futuro que nunca poderíamos ver ou compartilhar?
Se ao menos eles tivessem tido um pouco mais de tempo … Podiam viajar livremente entre os planetas de seu próprio sol, mas ainda não haviam aprendido a cruzar os golfos interestelares, e o sistema solar mais próximo encontrava-se a 100 anos-luz de distância. Mas mesmo que possuíssem o segredo do impulso transfinito, não mais que uns poucos milhões poderiam ter sido salvos. Talvez tenha sido melhor assim.
Mesmo que eles não fossem tão perturbadoramente humanos, como revelam suas esculturas, não poderíamos deixar de admirá-los e lamentar seu destino. Eles deixaram milhares de registros visuais, juntamente com minuciosas máquinas para projetá-los. Havia instruções ‘pictóricas, de modo que não fosse difícil aprender a sua linguagem escrita. Temos examinado muitas dessas gravações, trazendo de volta à vida, pela primeira vez em seis mil anos, todo o calor e a beleza de uma civilização que, em muitos aspectos, deve ter sido bem superior à nossa. Talvez eles tenham deixado apenas seu lado melhor, mas ninguém poderá condená-los por isso. Seus mundos, contudo, eram adoráveis e suas cidades, erguidas com uma graça que iguala qualquer coisa já feita pelo homem. Nós os observamos no trabalho e nas diversões, ouvimos sua linguagem musical soando através dos séculos. E uma cena permanece ante meus olhos. Um grupo de crianças numa praia de estranha areia azul, brincando nas ondas como as crianças brincam na Terra. Há uma fileira de árvores exóticas, que lembram chicotes, ao longo da praia, e algum animal muito grande aparece, atravessando os baixios, sem atrair atenção.
Mergulhando no mar, ainda cálido e generoso, vemos o sol que logo se tornaria traidor, apagando toda essa felicidade inocente.
Talvez se não estivéssemos tão longe de casa, e portanto tão vulneráveis à solidão, não ficássemos tão profundamente comovidos. Muitos de nós já observaram as ruínas de antigas civilizações em outros mundos, mas elas nunca nos afetaram tão profundamente. Essa tragédia era única. Uma coisa é uma raça falhar e morrer, como nações e culturas já o fizeram na Terra. Mas ser destruída tão completamente, em pleno ápice de seu desenvolvimento, sem deixar qualquer sobrevivente – como tal coisa poderia conciliar-se com a misericórdia divina?
Meus colegas já perguntaram isso e eu dei as respostas que pude. Talvez tivesses feito melhor, padre Loyola, mas nada encontrei no Exercitia Spiritualia que me ajudasse nessa tarefa. Eles não eram gente má: não sei que deuses adoravam, se é que adoravam algum. Mas tenho olhado para eles através do abismo dos séculos e vi a beleza que preservaram em seu último esforço sendo de novo trazida à luz de seu sol encolhido. Eles poderiam ter-nos ensinado tanto. Por que foram destruídos?
Conheço as respostas que meus colegas darão quando estiverem de volta à Terra. Dirão que o universo não possui propósito ou plano, e que de vez que 100 sóis explodem, a cada ano, em nossa galáxia, neste exato momento alguma raça está morrendo nas profundezas do espaço. Se essa raça fez o bem ou o mal durante sua existência, não faz qualquer diferença no final. Não há justiça divina porque não existe Deus.
É claro que o que vimos não prova nada disso. Qualquer um que assim afirme está sendo influenciado pela emoção, não pela lógica. Deus não necessita justificar suas ações perante o Homem. Ele, que construiu o universo, pode destruí-lo quando quiser. Constitui arrogância – perigosamente próxima da blasfêmia – pensar que podemos dizer o que Ele pode ou não fazer.
Isso eu teria aceito, não importando quão dolorosa fosse a perspectiva de mundos inteiros, juntamente com seus povos, sendo lançados em fornalhas. Mas chega um ponto em que até mesmo a mais profunda fé pode vacilar, e agora, quando olho para os cálculos colocados diante de mim, percebo que afinal cheguei a esse ponto.
Não podíamos dizer, antes de alcançar a nebulosa, há quanto tempo ocorrera a explosão. Agora, partindo da evidência astronômica e dos registros nas rochas daquele único planeta sobrevivente, fui capaz de datá-la com precisão. E sei em que ano a luz desse incêndio colossal chegou à Terra. Sei o quanto essa supernova, cujo cadáver agora se apaga atrás de nossa nave em aceleração, deve ter brilhado nos céus da Terra. Sei como deve ter fulgurado, baixa sobre o horizonte do leste, antes do nascer do Sol, como um farol na alvorada oriental.
Não pode haver mais dúvida. O mistério ancestral foi finalmente solucionado. E no entanto, ó Deus!, havia tantas estrelas que poderias ter usado. Qual a necessidade de lançar essas pessoas ao fogo para que o símbolo de sua morte pudesse brilhar acima de Belém?

O Escaravelho de Ouro

Allan Poe - CONTOS (O Escaravelho de Ouro)

26 de outubro de 2011

A Princesa com Cabeça de Porco



Oisin (também escrito Ossian), o lendário herói céltico e poeta, casa-se com uma princesa que, através de uma magia druida foi amaldiçoada a ter cabeça de porco.
Cruz celta
Havia um rei em Tir na n-Og (Terra da Juventude), que ocupava o trono e a coroa por muitos anos contra todos os que a cobiçavam.  E a lei do reino era que a cada sétimo ano, os campeões e melhores homens do país deveriam concorrer ao cargo de rei. Uma vez a cada sete anos, todos se reuniam na frente do palácio e corriam para o alto de uma colina duas milhas distante. No topo da colina tinha uma cadeira, e o homem que conseguisse sentar na cadeira primeira, seria o rei de Tir na n-Og pelos próximos sete anos.Depois que ele governou durante eras, o rei começou a ficar ansioso. Ele tinha medo que alguém pudesse se sentar na cadeira diante dele e tomar a coroa de sua cabeça. Então, um dia ele chamou seu druida e perguntou: “Por quanto tempo devo ficar nessa cadeira para governar esta terra, e se algum homem sentar-se nela antes de mim e tomar a coroa da minha cabeça?”
“Você vai manter a monarquia e a coroa para sempre”, disse o druida, “a menos que seu próprio genro as tire de você.”
O rei não tinha filhos, mas uma filha, mas, a mais bela mulher em Tir na n-Og; e o igual a ela não podia ser encontrar em Erin ou qualquer reino do mundo. Quando o rei ouviu as palavras do druida, ele disse, “Eu nunca vou ter um genro, porque eu vou deixar a minha filha de um jeito que nenhum homem irá se casar com ela.”
Então ele pegou uma vara druida  mágica, e chamando a filha diante de si, ele a golpeou com a vara, e colocar uma cabeça de porco em seu no lugar da cabeça dela.
Então ele mandou a filha de volta para o seu canto no castelo, e voltando-se para o druida “Não há homem na Terra que vá querer se casar com ela agora.”
Quando o druida viu o rosto que estava na princesa, a cabeça de porco que o pai tinha lhe dado, ele ficou muito triste por ter dado essa informação ao rei, e algum tempo depois ele foi ver a princesa.
“Devo ficar assim para sempre?” perguntou ela para o druida?
“Você precisa”, disse ele, “até que você se casar com um dos filhos de Fin MacCumhail em Erin. Se você se casar um dos filhos de Fin, você estará livre da mancha que está em você agora, e voltar a ter sua própria cabeça e rosto. “
Quando ouviu isso, sua mente ficou impaciente, e nunca descansou até que ela deixou Tir na n-Og e foi para Erin. Quando ela perguntou das pessoas, ouviu que Fin e os fenianos de Erin estavam naquele tempo vivendo em Knock an Ar, ela se dirigiui para o local imediatamente e viveu lá por um tempo. E quando ela viu Oisin, ele agradou a ela, quando ela descobriu que ele era um filho de Fin MacCumhail, a quem ela estava sempre observando, ela correu em sua direção. E era usual para os fenianos naqueles dias sair para caçar nas colinas, montanhas e nas florestas de Erin, e quando um deles ia,  sempre levava cinco ou seis homens com ele para trazer para casa o prêmio.
Um dia Oisin saiu com os seus homens e cães para a floresta, e ele foi tão longe e matou tanta caça que, quando tudo foi reunido, os homens estavam tão cansados, fracos e famintos que não podiam levá-lo, mas foram embora, deixando-o com os três cães, Bran, Sciolán e Buglén, para cuidar de tudo sozinho.
Agora a filha do rei de Tir na n-Og, que era a própria rainha da Juventude, seguia de perto a caçada por todo o dia, e quando os homens deixaram Oisin ela foi até ele. Ele estava lá,  olhando para a grande pilha de caça e dizendo: “Lamento muito deixar para trás tudo o que eu tive o trabalho de matar”, ela olhou para ele e disse: “Amarre um pacote para mim, eu vou levá-lo para alivar a carga de você. “
Oisin deu-lhe um pacote de caça para carregar, e pegou o restante. A noite estava muito quente e o fardo pesado, e depois de terem caminhado a alguma distância, Oisin disse: “Vamos descansar um pouco.”
Ambos jogaram as suas cargas, e se encostaram contra uma grande pedra que estava à beira da estrada. A mulher estava suada e sem fôlego, e abriu seu vestido para refrescar-se. Então Oisin olhou e viu a sua forma bonita e seu seio branco.
“Ah, então”, disse ele, “é uma pena que você ter uma cabeça de porco em você, pois eu nunca vi tal aparência de uma mulher em toda a minha vida antes.”
“Bem”, disse ela, “meu pai é o rei de Tir na n-Og, e eu era a mais requintada mulher do seu reino e o mais bela de todos, até que ele me jogou uma magia druida e deu-me a cabeça de porco que está em mim agora no lugar da minha própria.  E o duida de Tir na n-Og veio falar comigo depois e me disse que se um dos filhos de Fin MacCumhail se casasse comigo, a cabeça do porco iria desaparecer, e eu deveria voltar a ter meu rosto da mesma forma como era antes, antes de meu pai me surpreender com a varinha do druida. Quando eu botei isso na cabeça, não parei até que cheguei a Erin, onde encontrei o seu pai e te escolhi dentre os filhos de Fin MacCumhail, e te segui para ver se você vai se casar comigo e me libertar. “
“Se esse é o estado em que você está, e se o casamento comigo vai te libertar do feitiço, eu não vou deixar a cabeça de porco em você por muito tempo.”
Então eles se casaram sem demora, não esperando para levar a caça para ou para tirá-la do chão. Naquele momento a cabeça de porco desapareceu, e a filha do rei, tinha o mesmo rosto e a beleza que ela tinha antes de seu pai lhe deu um soco com a varinha druida.
“Agora”, disse a Rainha da Juventude para Oisin, “Eu não posso ficar aqui muito tempo, e a menos que você venha comigo para Tir Na n-Og nós devemos nos separa.”
“Oh”, disse Oisin, “onde quer que você vá eu vou, e sempre que você voltar, eu vou te seguir.”
Então ela virou-se e Oisin a acompanhou, não voltando para Knock an Ar para ver seu pai ou seu filho.  Naquele mesmo dia, eles partiram para Tir na n-Og e não pararam, até que chegou ao castelo do pai dela.  E quando eles chegaram, já hvia uma recepção,  pois o rei pensou que sua filha estava perdida.
Nesse mesmo ano houve a escolha de um rei, e quando o dia marcado chegou no final do sétimo ano, todos os grandes homens e os campeões, e o próprio rei, se reuniram na frente do castelo para correr e ver quem deve ser o primeiro a sentar na cadeira na colina.  Mas antes que qualquer um deles estivesse na metade do morro, Oisin já estava sentado na cadeira antes dele.
Após esse dia, ninguém se levantou para correr Oisin, e ele passou muitos anos felizes como rei em Tir no n-Og.
Fonte: Jeremiah Curtin, Myths and Folk-Lore of Ireland (mitos e folclore da Irlanda) (Boston: Little, Brown and Company, 1890), pp. 230-233.
Fontes – Site:
Livro completo (em inglês):
Mais livros do autor no site do Projeto Gutemberg:

"O Castelo da mente decorado para a entrada do Buda" (Sutra Avatamsaka)


Havia, certa feita, um menino de nome Sudhana, que também desejou a iluminação e procurou seriamente o caminho da budicidade.
De um pescador aprendeu as tradições do mar. De um médico aprendeu a ter compaixão dos doentes em seus sofrimentos. De um homem rico aprendeu que a poupança é o segredo de toda a fortuna; e com isso concluiu que é necessário conservar tudo aquilo que se obtém no caminho da iluminação, por mais insignificante que seja.
De um monge que medita aprendeu que a mente pura e tranqüila tem o maravilhoso poder de purificar e tranqüilizar outras mentes. Certa vez, encontrou uma mulher de extraordinária personalidade e ficou impressionado com sua benevolência, dela aprendendo que a caridade é o fruto da sabedoria. Certa ocasião, encontrou um velho viajante que lhe contou que, para chegar a um certo lugar, teve de escalar uma montanha de espadas e atravessar um vale de fogo. Assim, com suas experiências, Sudhana aprendeu que sempre há um verdadeiro ensinamento a ser colhido e assimilado em tudo aquilo que é visto e ouvido.
Ele aprendeu paciência de uma pobre mulher, fisicamente imperfeita; aprendeu a pura felicidade, observando as crianças brincarem na rua; e de um gentil e humilde homem, que nunca desejou aquilo que os outros desejavam, aprendeu o segredo de viver em paz com todo o mundo.
Ele aprendeu uma lição de harmonia, observando a composição dos elementos do incenso, e uma lição de gratidão estudando o arranjo de flores. Certo dia, passando por uma floresta, parou à sombra de uma árvore, para repousar. Enquanto descansava, viu, perto de uma velha árvore caída, uma minúscula plantinha; deste fato aprendeu uma lição da incerteza da vida.
A luz solar do dia e as cintilantes estrelas da noite constantemente refrescavam sua mente. Assim, Sudhana aproveitou bem as experiências de sua longa jornada.
Aqueles que buscam a iluminação devem fazer de suas mentes uns castelos e decorá-los. Devem abrir, de par em par, os portões do castelo de suas mentes, para, respeitosa e humildemente, convidar Buda a entrar em sua recôndita fortaleza, aí lhe oferecendo o fragrante incenso da fé e as flores da gratidão e alegria.

Preciosa Colaboração de Marcio Barros - RJ
marciojgbarros@zipmail.com.br  

Fonte: As Mais Belas Histórias Budistas - http://www.maisbelashistoriasbudistas.com

A Princesa do Castelo Wangenbourg

Num tempo longínquo morava no poderoso castelo de Wangenbourg, na Alsácia, um senhor muito encrenqueiro e de moralidade bastante duvidosa.

Ruínas de Wangenbourg
Voltando com seus companheiros de armas de uma expedição guerreira, ele viu uma bela donzela num prado florido.

Com ramalhetes de margaridas nos braços, ela resplandecia de beleza.

O senhor quis seduzi-la de todas as formas.

Mas, além de bela, nossa princesa fora abençoada no nascimento por um poderoso anjo, e tudo nela era maravilhoso.
São Gabriel, Évora
Numerosos pretendentes quiseram conquistá-la, mas como era muito jovem para casar, recusou todos os candidatos.

O senhor de Wangenbourg aplicou todos seus jeitos para conquistar essa torre invencível...

E eis que, num belo dia, ela aceitou o pedido!

Ele lhe prometeu só amar a ela e a não desejar outros corações.

E eles foram felizes, pois malgrado as tentações da vida de grande senhor, ele respeitou a promessa.

Mas certo dia ele começou a olhar para outras moças, e recomeçou no “mentiroso” a vida de outrora.

Nossa princesa ficou fortemente magoada e até desesperada. E decidiu lavar-se da afronta na cachoeira de Nideck, que ela conhecia bem.

Mas Wangenbourg distava muito de Nideck para uma delicada princesa ir a pé.
Cachoeira de Nideck
No caminho, ela se feriu várias vezes nos espinheiros, nas pedras pontudas e nos galhos secos.

E achava que uma chama do inferno saía do chão para queimá-la. Além do mais, a densa floresta deixava passar muita pouca luz.

Quando esgotada ela chegou no alto da cachoeira, suas pernas não conseguiam manter-se em pé. E a infeliz princesa ensangüentada caiu no vazio.

Tendo seu bom anjo visto todas as suas infelicidades, chegou como um raio e a segurou na queda fatídica.

Mas o anjo disse para si mesmo:

̶  “O que farei com uma beleza desesperada, sempre procurada pelos homens?”

E então lhe veio uma idéia luminosa:

̶  “Vou levá-la para o Céu”.

Desde aquele dia, os habitantes da região dizem que uma sombra branca dança sobre a espuma da cachoeira avisando que uma tempestade está perto. 

25 de outubro de 2011

Num tempo longínquo morava no poderoso castelo de Wangenbourg, na Alsácia, um senhor muito encrenqueiro e de moralidade bastante duvidosa.


Voltando com seus companheiros de armas de uma expedição guerreira, ele viu uma bela donzela numCom ramalhetes de margaridas nos braços, ela resplandecia de beleza.

O senhor quis seduzi-la de todas as formas.

Mas, além de bela, nossa princesa fora abençoada no nascimento por um poderoso anjo, e tudo nela era maravilhoso.

São Gabriel, Évora
Numerosos pretendentes quiseram conquistá-la, mas como era muito jovem para casar, recusou todos os candidatos.

O senhor de Wangenbourg aplicou todos seus jeitos para conquistar essa torre invencível...

E eis que, num belo dia, ela aceitou o pedido!

Ele lhe prometeu só amar a ela e a não desejar outros corações.

E eles foram felizes, pois malgrado as tentações da vida de grande senhor, ele respeitou a promessa.

Mas certo dia ele começou a olhar para outras moças, e recomeçou no “mentiroso” a vida de outrora.

Nossa princesa ficou fortemente magoada e até desesperada. E decidiu lavar-se da afronta na cachoeira de Nideck, que ela conhecia bem.

Mas Wangenbourg distava muito de Nideck para uma delicada princesa ir a pé.

Cachoeira de Nideck
No caminho, ela se feriu várias vezes nos espinheiros, nas pedras pontudas e nos galhos secos.

E achava que uma chama do inferno saía do chão para queimá-la. Além do mais, a densa floresta deixava passar muita pouca luz.

Quando esgotada ela chegou no alto da cachoeira, suas pernas não conseguiam manter-se em pé. E a infeliz princesa ensangüentada caiu no vazio.

Tendo seu bom anjo visto todas as suas infelicidades, chegou como um raio e a segurou na queda fatídica.

Mas o anjo disse para si mesmo:

̶  “O que farei com uma beleza desesperada, sempre procurada pelos homens?”

E então lhe veio uma idéia luminosa:

̶  “Vou levá-la para o Céu”.

Desde aquele dia, os habitantes da região dizem que uma sombra branca dança sobre a espuma da cachoeira avisando que uma tempestade está perto. 
 prado florido.


Fonte: