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4 de dezembro de 2011

O MUNDO DA ILUSÃO





Em algum lugar do futuro


Diguinho estava muito empolgado com o novo presente que acabara de ganhar em seu 13o aniversário. Um sistema de Realidade Virtual muito mais sofisticado que o de seus colegas. Colocando o capacete e a veste, totalmente revestida com micro pontos de pressão e temperatura, entrava em um mundo de fantasia onde podia realizar qualquer coisa.
Embora nas lojas já estivessem a venda equipamentos que permitiam até mesmo comer, dormir e fazer as demais necessidades básicas sem sair do mundo virtual, Diguinho, um menino muito inteligente, achava que já era demais. - Desse jeito nunca vão querer sair da máquina! - Ele sempre dizia.
Mesmo assim ele adorava o mundo virtual, seus programas favoritos, feitos por ele próprio, incluíam caçadas na selva, lutas entre ninjas e samurais no Japão medieval e duelo de Cavaleiros Jedi. Também usava muito um programa de relaxamento, que simulava uma praia e belíssimas garotas com as quais ele podia fazer muitas coisas.
Mas jamais quis tirar o outro pé do mundo real, achava perigoso ficar tanto tempo na virtualidade. Tinha medo de perder o senso de diferenciação. Havia sistemas tão completos que poderia se passar a vida inteira sem sair da máquina, não fossem leis de regulamentação que tentavam impedir uma fuga em massa da realidade.
Sua avó, Iara, sabia que o rapaz era muito esperto, e que corria menos risco de acabar tão absorvido pelos sistemas virtuais a ponto de viver uma vida vegetativa. Mesmo assim, diante da sofisticação do novo brinquedo e do ânimo do moço, decidiu intervir delicadamente contando uma história.
- Diguinho meu amor. Venha cá. Quero te contar uma história que sei que você vai gostar.
- Oi vó. Qual é?
- Calma. Empolgado pela nova máquina?
- Puxa vó! Ela é demais. Pena que o sistema não permite mais que 3 horas ininterruptas.
- Por quê?
- São leis aprovadas pelo governo, para impedir que se fique tempo demais na máquina.
- E você queria ficar mais?

- Sei que isso não é muito bom mas... Olha, a realidade virtual é muito útil, nunca aprendi história do Brasil tão bem até o dia que comprei aquele programa que simula o mundo colonial, lá vi como era a vida nos canaviais, nos engenhos. Também já usei um sobre a Grécia antiga, onde até conversei com simulóides de Aristóteles e Platão. Foi daí que passei a gostar de filosofia. Mas é claro que têm gente que passa o dia inteiro com jogos de luta ou em bordéis virtuais fazendo sexo de formas impossíveis.

- É. Como sempre as coisas podem ser usadas de todas as formas, boas ou más.
- É uma pena.
- Bem. Eu queria te contar uma história. Quer ouvir agora?
- Claro! Tenho que esperar a máquina recarregar mesmo!
- Então vamos lá.
- Que história é?
- Bem. Podemos chamá-la de...O mundo da ilusão?


Em algum lugar do passado


Era uma vez uma raça de seres maravilhosos, tão felizes e poderosos que sabiam unir com perfeição o trabalho com a diversão. Viviam num mundo que não eram bem um mundo, mas uma nave, ou uma nuvem, ou um mar de energia.
Eles nem precisavam de formas tão densas quanto os nossos corpos, eram energia luminosa, plasma maleável. Muito inteligentes, todos se ajudavam, se divertiam, cresciam e evoluíam. Se alimentavam da essência pura a sua volta, absorvendo do "ar" tudo o que precisavam.
Havia grandes e sábios líderes que regiam esse mundo, não eram chefes, eram amigos, pais, mães, protetores e guias. Esse mundo era tão bom que nem precisava de leis. A não ser uma.
Havia muitas máquinas fantásticas, não como as nossas, duras, mecânicas e sem vida. Eram máquinas de energia, computadores vivos com consciência, dispositivos diversos muitas vezes construídos só com a força da mente.
O trabalho deles incluía pesquisa, construção e compreensão dos mistérios do universo. Para aprender sobre o cosmos, sobre o infinito, a natureza, sobre Deus e sobre eles mesmos, podiam usar grandes recursos mentais, e algumas máquinas que ajudavam.
Poderosos e bem intencionados cientistas criaram grandes inventos que eram de livre utilização. Propriedade, posse, dinheiro ou qualquer coisa parecida não fazia o menor sentido nesse mundo, tudo era de todos, todos tinham tudo.
As máquinas podiam ser usadas por qualquer um, desde que aprendessem a usá-las, e que todos deveriam reverter algum benefício para a sociedade, para todos.
Tudo era livre e permitido, era apenas orientado e aconselhado, não havia proibições. A não ser uma.
Como todos eram conscientes e bem intencionados, todos queriam o melhor para seus semelhantes, não havia necessidade de restrições. A não ser uma.
Havia uma máquina muito especial, que só era usada pelos mestres. Era uma máquina que a maioria nem sabia o nome ou para que servia, apenas que os mestres aprendiam muito com ela e também se divertiam.
O grande Líder Mãe/Pai disse uma vez.
- Ninguém usará desta máquina até que tenha atingido o estado de mestre!
Intrigados por isso os jovens queriam saber por que, pois buscar o porquê era sua missão, sua vida e a coisa mais importante. Aprender.
- Por que para quem ainda não domina totalmente a si próprio, essa máquina é muito perigosa, pode trazer até a morte! - Diziam os sábios anciãos.
Morte! Isso não fazia muito sentido para eles, viviam para sempre, apenas se renovavam voltando a ser crianças de vez em quando, para que o mundo sempre fosse maravilhoso e desafiador e para que não existisse o tédio. Mesmo que muitos esquecessem da maior parte de seu passado quando se renovavam, todos sabiam que a verdadeira e grande vida continuava, que aprender de novo era sempre um prazer, uma benção.
Os jovens aceitavam a regra, um pouco tristes e intrigados mas obedeciam, pois sabiam que os antigos eram muito inteligentes e sapientes. E que eles, os jovens, ainda precisavam aprender muito.
Mas nem todos se conformavam, alguns embora bem intencionados, eram curiosos demais e precisavam saber o que era. Sabiam que os jovens aprendiam e cresciam cada vez mais rápido e talvez já estivesse na hora de descobrirem o grande mistério.
Justificavam sua inquietude dizendo que as vezes seus pais e mães os subestimavam, e embora não gostassem de desobedecê-los acreditavam que seria benéfico para todos se eles também usassem a máquina.
Um jovem dizia. - Talvez precisem saber que já somos crescidos.
Outro achava. - Talvez seja um desafio, para ver se temos coragem de descobrir por nós mesmos.
E outro - E se na verdade for um teste? Talvez queiram que desobedeçamos.
- Acho que devíamos dar uma olhada. O que há para temer? A tal de morte?
E assim muitos jovens decidiram escondidos, ir até uma destas máquinas proibidas. Não eram vigiadas, os líderes contavam com a obediência e compreensão de todos, não foi difícil para os espertos e engenhosos jovens enganarem a todos e se apoderarem de algumas máquinas por pouco tempo.
Eles se reuniram em um lugar secreto e contemplaram uma das máquinas. Ela poderia ser chamada de "Máquina dos Sonhos", "Máquina de Ilusão", e era maravilhosa. Os jovens logo perceberem que podiam entrar na máquina e lá dentro qualquer desejo se tornava realidade. Eles imaginavam uma nave, e ela surgia. Queriam um planeta, e ele aparecia. Desejavam se tornar estrelas flamejantes, e conseguiam.
Mas nada era real, apenas dentro da máquina tinham essa sensação fantástica. Sabiam que do lado de fora tudo era como antes mas nela, no interior dessa máquina proibida, eles podiam ser o que quisessem, podiam crescer de um instante ao outro, podiam ser líderes, criar mundos para governar sabiamente, era apenas diversão é claro. Mas também podiam aprender muito.
- Mas o que é que têm de perigoso nessa máquina? - Era o que eles se perguntavam.
- É só uma brincadeira!
- Podemos aprender e nos divertir! Só isso!
- Viram só! Eu não disse!
- Vamos contar aos antigos?
- Acho que não há problema.
- Não! Melhor não! E se eles nos tomarem as máquinas e as esconderem?
- Têm razão. Melhor usarmos em segredo.
- Ninguém vai desconfiar e se depois alguém descobrir e só dizer que...
- Usamos muitas vezes e nunca aconteceu nada perigoso!
- É isso!
- Eu sabia que não tinha problema.
E no princípio não houve mesmo, eles estudavam, trabalhavam e iam brincar com as máquinas escondidos. Um criava mundos com criaturas maravilhosas e se divertia vendo-as brincar, outro criava cidades e templos tão bem detalhados que aprendia como melhorar as construções em que ele trabalhava no mundo real, alguns brincavam que eram líderes e até criavam personagens que os obedeciam alegremente.
Tudo era só brincadeira, mas era tão boa que se tornou importante demais para eles.
O sonhos, as ilusões da máquina, eram tão perfeitos e maravilhosos que a sensação de estar nela era muito melhor que estar no mundo real, que ainda era muito bom, mas eles cada vez queriam ficar mais na máquina.
Com o tempo o passatempo virou hábito, rotina, vício, e ficavam mais e mais criando ilusões e simulações espetaculares. Até que um dia seus protetores e guias perceberam que apesar deles parecerem aprender mais, estavam se tornando desinteressados pelo trabalho, estudo e lazer reais.
Chamaram-lhes a atenção mas de pouco adiantou, continuaram mais e mais dependentes do mundo de ilusão que eles mesmos criavam, afinal realizavam todos os seus sonhos lá dentro, e já não viam mais graça em estudar, trabalhar ou construir no mundo de verdade, pois a ilusão superava tudo. Afinal, no mundo dos sonhos eles eram deuses.
Um dia foram descobertos.
- Vocês desobedeceram! E usaram a máquina proibida! Por quê?!
- Queríamos saber o que era, e descobrimos que não há perigo.
- Sim, já as usamos há muito tempo e como podem ver não aconteceu a morte!
- Vocês sabem o que é morte!
- ???
- Acho que é...
- Quando alguma coisa acaba?
- Sim! Quando algo termina ele morre. O que morreu em vocês foi sua vontade, sua colaboração, de brilhantes estudantes passaram a alunos relapsos, de grandes trabalhadores passaram a obreiros desinteressados, de perspicazes inventores tornaram-se sonhadores medíocres. Essa é a morte!
Os mestres perceberam que as idéias destes jovens eram agora tão diferentes que seus colegas se confundiam. Não podiam mais continuar trabalhando, precisavam de uma recuperação. Então conciliaram.
- Eles precisam recuperar sua vontade e eficiência.
- Precisam parar de usar a máquina, não estão preparados.
- Vamos destruir as máquinas?
- Não, elas são muito úteis para nós visualizarmos nossos futuros projetos.
- Sim, a culpa não é da máquina.
- O que faremos? Reeducação?
- Para jovens como eles a privação repentina da máquina poderia ser muito prejudicial.
- Acho que não temos escolha. Se quisermos o bem para nossos filhos teremos que ser severos.
- Sim! Vamos lhes tirar as máquinas. Escondê-las e vigiá-las.
- Sim. Não temos escolha.
Talvez tenha sido um erro dos anciãos mas o fato é que eles decidiram proibir os jovens de entrar na máquina. Foi um terrível choque para eles, sem perceber tornaram-se tão dependentes da máquina que não suportavam a idéia de viver sem ela.
- E agora?! Como vamos fazer!?
- Vão nos tirar as máquinas de sonho!
- Não é justo!
- Teremos que voltar a trabalhar e estudar.
- Mas como vamos nos divertir?
- Nada mais será como antes.
- Não consigo me imaginar sem meu mundo ilusório de luas coloridas.
- E eu sem minha montanhas encantadas.
- E como ficarei sem poder rever minhas crianças douradas do mundo dos sonhos?
- Não podemos aceitar isso.
- Mas eles vigiarão as máquinas, se entrarmos nos tirarão.
- Esperem! Eu tenho uma idéia. Vamos entrar nas máquinas e não sairemos mais.
- Como? Eles podem nos tirar!
- Só se quisermos sair!
- Só se permitirmos.
- Uma vez na máquina podemos desejar firmemente não sermos tirados.
- Mas de que jeito?
- Eu tenho a solução!
Havia algo nas máquinas, que era a única coisa que não permitia que as ilusões fossem absolutamente reais e perfeitas. O fato de se saber que se está num mundo de fantasia, desvaloriza o sonho por melhor que ele seja, e isso era simbolizado por uma minúscula luzinha branca que estava sempre em algum ponto do mundo de ilusão que qualquer um criava, era a saída.
Todos sentiam que aquela luzinha as vezes quebrava o encanto, era uma implacável lembrança de que aquilo que eles viviam não era real. As vezes eles gostariam de esquecer da realidade, e se entregar totalmente aos mundos maravilhosos que criavam.
Houve uma vez quem sugerisse. - Por que não fechamos a saída? Apagamos a luz?.
- Por que é muito perigoso. - O outro respondia. - Poderíamos ficar presos ao mundo do sonho e nunca mais voltar a realidade.
Mas foi isso que decidiram fazer, enquanto a luz estivesse ali, alguém poderia vir atrás deles e convencê-los a voltar. E importante saber também que nas máquinas de ilusão os mundos se mesclavam, um podia viver no sonho do outro, misturando suas realidades. Se um ancião viesse poderia destruir sua ilusão para força-los a voltar, talvez até criar uma ilusão desagradável para faze-los querer voltar ao mundo real.
Depois de conseguirem pela última vez entrar na máquina, era inevitável que em breve seus guias e protetores viessem buscá-los. Então discutiram.
- Se fecharmos a saída podemos ficar presos!
- Podemos nunca mais voltar a ver nossos pais e mães, nossos amigos.
- Mas se deixarmos nos tirarem daqui não mais voltaremos à máquina.
- Eu não posso viver seu meu mundo.
- Nem eu.
- Podemos recriar nosso mundo real aqui, melhorado.
- Até mesmo nossos amados líderes podem ser simulados, perfeitos e menos severos.
- Está decidido. Nós preferimos ficar.
E apagaram a luz, fecharam a porta.

Os anciãos entraram em desespero, sabiam que era questão de pouco tempo até que os jovens se esquecessem totalmente de quem eram. A saída, a luzinha, nada mais era senão o símbolo do desejo de voltar e a lembrança da realidade. Com ela apagada, as crianças se esqueceriam, e mesmo que quisessem, não poderiam mais voltar, não achariam o caminho.
Depois de muito tempo e discussões, decidiram enviar mensageiros para dentro das máquinas, para convencê-los a voltar. Sabiam que não podiam trazê-los a força, tinham que tentar um outro meio.

Os seres deste belo mundo, mesmo os jovens, eram dotados de grande poder de concentração e visualização. Conseguiam compreender as coisas numa velocidade absurda para nós seres humanos.
Se um jovem daquela raça viesse para o nosso mundo, a Terra de hoje, desvendaria facilmente grandes mistérios que intrigam nossa ciência, seria capaz de realizar instantaneamente cálculos difíceis até para nossos computadores e compreenderia as leis que regem a natureza com a espontaneidade de quem entende as regras de um jogo simples.
Por isso eles usavam a máquina de ilusão tão bem. A máquina não seria fácil de utilizar para nós simples mortais, pois requeria grande potencial imaginativo e de concentração.
Tente imaginar um carro, você consegue simultânea e imediatamente visualizar todas as suas peças?
Consegue ao mesmo tempo se concentrar em detalhes do motor, dos mecanismos elétricos, até mesmo os desenhos dos sulcos das rodas?
Nós não vemos isso com clareza, teríamos que imaginar parafuso por parafuso, porca por porca, e ir lentamente montando tudo até termos um carro completo.
E as leis físicas que regem o comportamento do carro? Você consegue compreendê-las perfeitamente? Gravidade, inércia, atrito, e tudo que tornaria uma simulação de um carro numa pista perfeita.? Quanto tempo demoraria para conseguir criar algo assim numa máquina que faz absolutamente tudo o que você imaginar?
Esses jovens podiam! Eles conseguiam se concentrar tão profundamente que em segundos criavam prédios, em minutos criavam vales e rios, em horas planetas e em alguns dias seres vivos altamente complexos.
Os mundos de ilusão criados por eles eram absurdamente complexos e completos, algo inimaginável para nós seres humanos. Mas havia um problema.
Esse grande poder de concentração era fruto da prática e treinamento no mundo real, lá apesar de ser um lugar maravilhoso, inimaginável para nós atuais terrestres, ainda tinha suas dificuldades, obstáculos que precisavam ser vencidos, desafios a serem superados, que mantinham a mente treinada.
No mundo de ilusão tudo era mais fácil, e com o tempo suas capacidades de visualização e concentração foram atrofiando por falta de prática. E eles não eram mais tão bons.
Enquanto antes imaginavam e criavam uma catedral com 7 belas torres, agora a catedral surgia com 8 ou 6, quando antes visualizavam uma montanha na forma perfeita do rosto de uma pessoa querida, agora o rosto já surgia lembrando outra pessoa, quando um deles pedia uma fruta com um sabor rico de muitas misturas, agora o sabor vinha apenas parecido, mas não igual.
Mais e mais as coisas no mundo dos sonhos iam ficando difíceis, não era mais tão simples criar.
- Estamos perdendo a prática.
- Sim, não consigo mais fazer criaturas tão bem quanto antes.
- Está tudo mais difícil.
- Não temos mais a mesma técnica.
- Que faremos? Como aperfeiçoaremos nossa mentes?
- Vamos tornar tudo mais desafiador!
- Como?
- Precisamos de um pouco de dificuldade, para nos obrigar a um maior esforço.
- Só mesmo voltando ao mundo real.
- Correria o risco? De não poder voltar?
- Podemos treinar aqui mesmo!
- Sim, podemos estabelecer regras.
- Dificuldades propositais para nos manterem afiados sempre solucionando problemas.
- Boa idéia, vamos criar regras de limitação, isso nos obrigará a pensar mais.
E então eles passaram a se impor dificuldades, criaram obstáculos a serem vencidos, num mundo onde tudo era possível, tudo continuou a ser possível, só que menos fácil. Para evitar a confusão entre criações de diferentes criadores estabeleceram que duas coisas não podiam ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Para obrigar a reaproveitar criações antigas, e não apenas entulhar as velhas sempre criando novas, determinaram que nada poderia ser criado ou destruído, tudo deveria ser transformado. Para que todos partilhassem dos mesmos benefícios e que suas criações pudessem se interrelacionar, concordaram que tudo deveria interagir, atraindo-se em maior ou menor grau de acordo com a quantidade de energia contida em cada coisa.
Precisavam de soluções mais elaboradas, tiveram mais desafios e realmente funcionou, suas mentes recuperaram um pouco da suas esplêndidas faculdades, ou pelos menos passaram a perdê-las mais lentamente. Mas ainda assim, não era a mesma coisa.
Um dia alguns anciãos vieram.
- Vocês precisam voltar! O mundo real está lá fora, tudo aqui é ilusão.
- Não queremos voltar.
- Aqui temos de tudo.
- Mas vocês estão cada vez menos brilhantes, suas capacidades estão degenerando!
- Estavam! Conseguimos remediar a situação.
- Sim. Criamos regras, leis, diretrizes.
- O quê? Vocês desobedeceram a única lei em nosso mundo, e agora estão dispostos a se submeter a várias?
- É diferente, são leis maleáveis e de outra natureza, possuem um objetivo diferente.
- Não queremos proibir, apenas tornar tudo mais interessante.
- Ah! As proibições tornam as coisas interessantes não é?
- Jamais devíamos ter proibido a máquina.
- São leis de outra natureza.
- Vocês não entendem.
- Todas as leis são iguais. Não passam de proibições.
- Apenas algumas são mais difíceis de violar do que outras.
Não foram poucos os jovens que fugiram para o mundo da máquina dos sonhos. Era um número muito grande. Pouquíssimos concordaram em voltar, alguns não perdiam tanto suas capacidades quanto os outros mas a maioria, estava regredindo.
Passaram a se casar e se reproduzir e seus filhos, acostumados a viver num mundo de ilusões onde apesar das novas leis, tudo ainda era mais fácil, cresciam sem os desafios que fizeram seus pais ser o que eram. E embora incomensuravelmente mais dotados que as pessoas de nosso mundo real, não mais se comparavam as pessoas daquele mundo real, fora da máquina dos sonhos.
Mesmo com as dificuldades as mentes iam enfraquecendo, mais leis foram criadas na tentativa de impedir a degeneração, num dado momento perceberam que tais leis estavam aprisionando as mentes, impedindo-as de usar suas reais capacidades, aboliram muitas delas e perceberam que muitos não mais viviam sem elas. Eram suas guias num mundo onde cada pensamento, até mesmo uma distração, podia resultar em alguma criação desagradável, maligna. E surgiram coisas realmente ruins.
Sem as leis alguns degeneravam ainda mais e mais rápido, outros perdiam totalmente o senso de direção, não sabiam mais como fazer ou o quê fazer. Novas leis foram criadas e modificadas.
Havia aqueles que se mantiveram livres, com a mente livre e poderosa, se tornaram guias para os demais, líderes. Alguns conseguiram voltar ao mundo real, outros seguiram os antigos que jamais desistiram de vir buscá-los. Mas a maioria das crianças nascia cada vez mais atrofiada mentalmente, afinal nem precisavam mais criar, já havia tantas coisas criadas, era só reaproveitar ou pedir. - Crie um brinquedo para mim mamãe! - Poucos respondiam. - Por quê você mesmo não cria meu amor?
Se antes era preciso muito esforço mental para construir do nada uma casa, agora só era preciso pegar pedaços de outras, ou pedaços de outras coisas como árvores, pedras. E o poder de criação foi diminuindo geração após geração.
Eram comum alguns contarem que os antigos criaram a terra em que viviam, os rios, as nuvens, e esses antigos passaram a ser divinizados. Muitos dos que conservavam seus dons antigos, na verdade agora verdadeiros super poderes para os atrofiados, tentavam resgatar o dom de seus companheiros, ensinando-os a redescobrir suas capacidades.
- Olhem para dentro de vocês mesmos! O poder de criação está aí! Em vocês! O resto tudo é ilusão!
Alguns ouviam e aprendiam, alguns recuperavam seus dons e eram considerados semideuses, feiticeiros, magos. Mas a maioria apenas venerava seus novos mestres, achando que libertariam sua mente apenas seguindo-os cegamente.
Os puros, não atrofiados pela ilusão, diziam.
- Conheçam a si mesmos, lembrem-se de quem vocês são! Lembrem-se de onde vieram!
Mais e mais as pessoas nasciam degeneradas, haviam criado corpos para si mesmos não sabiam quando, tão densos que eram difíceis e desconfortáveis mas não mais sabiam viver sem eles, a maioria.
Havia leis que os aprisionavam no chão, tudo que era jogado para cima caía. Agora absorviam energia ingerindo coisas, não mais transmutavam a essência pura.
Os dirigentes do mundo da ilusão, ainda pouco degenerados, criaram leis radicais na tentativa de reverter a situação, quanto mais o tempo passava mais as pessoas atrofiavam suas mentes. Tentativas terríveis foram feitas para abrir os olhos dos demais.
Foram mandados acontecimentos desagradáveis, além do controle daqueles que haviam adormecido, para que através do sofrimento vissem que havia alguma coisa errada e se voltassem para a libertação. Mas muitos se apegavam a suas "coisas", entravam em desespero e apenas imploravam ao "deuses" que tivessem piedade.
Cada vez mais as mensagens dos ainda iluminados eram menos entendidas, e ao invés de seguir seus exemplos, eles apenas os seguiam.
Alguns diziam. - Desejar o que está a nossa volta e desejar ilusões, jamais serão satisfeitos, olhem para seu próprio interior, a resposta, a libertação está dentro de vocês. Precisamos destruir os bloqueios que aprisionam nossas mentes e voltar para o mundo real, da felicidade, o mundo de nossos pais.
Mas a maioria achava que era apenas se submeter a eles que voltariam a esse tão falado mundo maravilhoso, a esse paraíso.
Alguns antigos, do mundo real também tentavam ajudar. - Conheçam vocês mesmos, conheçam seu EU verdadeiro, só ele e a libertação.
Mas a maioria não entendia.
Um deles disse. - O EU, o verdadeiro "eu", é o caminho, a verdade e a vida.
Mas a maioria entendia que o eu era ELE, o mestre, que era o caminho a verdade e a vida, e passaram a adorá-lo, a venerá-lo, bajulá-lo, pois só por ele voltariam ao mundo original, ao mundo real, ao Pai.
O mestres estavam em toda parte, poucos discípulos conseguiam se libertar e voltar ao mundo original, ao paraíso. A maioria apenas venerava os mestres, exigindo demonstrações de poder, levando oferendas a deuses que a muito tinham ido embora.
Muitos mestres ainda manipulavam os fundamentos do mundo da ilusão, conseguiam criar e transformar, violar a gravidade e levitar, sumir em um local e surgir em outro, mover as águas só com um gesto, pois ainda compreendiam como funcionava a máquina dos sonhos.
Mas ainda assim esses demais evoluíram, cada vez mais esquecidos de sua origem mas mais aplicados em compreenderem seu mundo ilusório que para eles era real, não todos claro, mas aprenderam a dominar as leis físicas e criar coisas com outras coisas, ilusão acima de ilusão, mas que funcionavam. E para eles essa era a única verdade.
Os mestres eram poucos e sabiam que poucos voltariam ao mundo original, um dia talvez a máquina da ilusão teria que ser desligada, mas que diferença faria? Seu mundo real também não tinha leis? Seria seu mundo real também outra ilusão com regras?
Deixaram muitos ensinamentos para a posteridade, a maioria em livros que nada mais eram que objetos de ilusão, contendo palavras que podiam ser proferidas por gargantas ilusórias e se perdiam no ar que também é ilusão, elas podiam apenas apontar a Verdade mas muitas pessoas as tomavam como "a" verdade. Como se palavras pudessem aprisionar a essência da mente.
Os restantes não mais controlavam a máquina do sonho, eram controlados por ela. Cada vez mais acreditavam que a ilusão era o real, até por fim estarem tão condicionados as leis, que não mais concebiam algo diferente. Estavam presos a matéria, até por fim duvidar de que eles mesmos existiam, achar que na verdade sua vontade, sua consciência, nada mais era que um fenômeno resultante da matéria.
E alguns inverteram a única verdade...
De que apenas a mente existe, o resto é ilusão.


De volta para o futuro


Diguinho terminou de ouvir a história de sua avó. E foi de volta a sua máquina de realidade virtual que apesar de tão sofisticada não se comparava a aquela tal máquina do mundo da ilusão.
E agora? Sentia uma culpa ao se reintegrar ao mundo virtual, mas ele era muito melhor que o mundo real, não foi assim que os jovens da história pensaram?
Ele poderia ir brincar na rua, jogos de verdade, mas e o risco? De ser assaltado numa cidade cada vez mais violenta, de ser agredido por aquelas inumeráveis gangues de idiotas, ou ser atropelado por um motorista maluco?
Isso sem falar naqueles carros aéreos que vivem batendo nos céus e despencando em cima dos outros. Pilotos embriagados! Pelo menos em casa era mais seguro.
Ele sabia que estava longe o dia que os sistemas de realidade virtual seriam tão bons quanto aquela máquina dos sonhos. Ele queria ter uma máquina como aquela apesar do perigo.
E evidentemente ele já tinha, assim como todos nós.

Marcus Valerio XR
27 de agosto de 1999

3 de dezembro de 2011

Potencialmente versus Realmente

O pai estava vendo televisão tranquilamente, quando o filho, que brincavaà sua frente, surge com uma pergunta: 


- Pai, qual a diferença entre POTENCIALMENTE e REALMENTE? O pai pensa um pouco e responde: - Filho, faz o seguinte:


 - Primeiro, pergunta à tua mãe se por 1 milhão de dólares elafaria amor o Kevin Costner. - Depois, pergunta à tua irmã se por 1milhão de dólares ela faria amor com o Brad Pitt. - E, finalmente, pergunta ao teuirmão se por 1 milhão de dólares ele faria amor com o Tom Cruise. Quando metrouxer as respostas, eu te explico a diferença entre potencialmente erealmente. Horas depois, o filho voltou e descreveu ao pai as respostas decada um dos três: A mãe disse que nunca pensou em te trair, mas que por 1milhão de dólares, e com o
Kevin Costner, ela não pensaria duas vezes. Amana respondeu que seriam dois sonhos realizados de uma só vez: dar uma como Brad Pitt e ainda por cima ficar milionária. E, finalmente, meu irmãodisse que por 1 milhão de dólares até faria amor com o Lula, quanto mais como Tom Cruise! Então o pai respondeu: Pois é isso, meu filho. POTENCIALMENTE,a nossa família tem condições de ganhar 3 milhões de dólares. MasREALMENTE,vivemos com duas putas e um viado!


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1 de dezembro de 2011

A Cigana


─ Você vai perder para poder vencer.
Esta tinha sido a resposta da Cigana que havia lido a sua mão certo dia na praça principal da cidade onde morava. Leila não conseguia entender tal mensagem, e desde então andava preocupada com a interpretação. Quando ela resolveu procurar a Cigana para ler sua mão e lhe contar sobre o seu futuro, tinha esperança de ouvir que Gerson seria somente seu. Há quatro anos era amante do seu chefe.
Algumas vezes ameaçara deixá-lo se ele não saísse de casa e assumisse publicamente o caso deles. Gerson prometia resolver o problema o mais rápido possível, pediu dois meses, quando o prazo se encerrou pediu mais dois meses, e nesse impasse estavam com quatro anos juntos. Leila sofria muito, principalmente nas festas de final de ano, natal e réveillon Gerson passava com a família, a ela cabiam às migalhas.
Eles nuca podiam aparecer publicamente, ele alegava que não seria bom para os negócios. A rotina de Leila era automática, saía de casa às seis horas da manhã, chegava ao local de trabalho meia hora depois e retornava no final da tarde. Tinha dia que não via o patrão/amante, quando isso acontecia ficava num torturante sofrimento interior, contava mentalmente as horas, para que chegasse logo a sexta-feira, dia sagrado da semana em que eles se encontravam num pequeno quarto de motel num dos bairros mais pobres da cidade.
Não estava mais agüentando a situação, mas também não tinha coragem de deixá-lo, o amava mais que as próprias decisões. Leila mantinha aquele romance mais secreto que um segredo de Estado. As amigas a indagava sobre ela nunca aparecer com um namorado, em tom de brincadeira falavam que parecia homossexual mal resolvido. Havia flagrado diversas vezes as colegas de trabalho tecendo inúmeros comentários de sua vida particular. Nada dizia e nem tentava desfazer os estragos das fofocas, sabia que entre todas, somente ela desfrutava dos prazeres proporcionados pelo patrão.
− Invejosas! Falava isso para si, como se aquela reflexão a ajudasse a ser mais feliz. Neste período fora fiel a Gerson, mesmo que para isso tivesse que pagar um alto preço. Nunca aceitara o convite de Orlando para sair. Ela sabia que ele gostava de verdade dela, desde a época da quinta série. Sempre inventava uma desculpa, prometendo aceitar na próxima oportunidade, que nunca chegava.
E assim passavam os dias: Leila presa a Gerson que nunca decidia assumir o romance. Por outro lado Orlando se prontificava a casar com ela que nunca aceitava tal proposta. Ela amava um homem que não a valorizava e desvalorizava outro homem que a amava verdadeiramente. Cada dia que passava aumentava o dilema.
A vida de Leila parecia permanecer desta forma por toda a eternidade. Mas o destino, muitas vezes muda às cartas que serão jogadas na próxima partida. E foi usada esta técnica numa certa manhã. Poucos minutos antes de sair para o trabalho Leila ligou a TV para conferir as noticias do telejornal local, como fazia todas as manhãs. Ficou pasma com a foto exibida na tela, esfregou os olhos e voltou a mirar a TV novamente, não havia dúvida era ele mesmo. Ela sentou-se no sofá, a visão ficou turva, o corpo tremia, os pulmões pediam socorro pela falta de ar. Conseguiu se controlar, porque precisava entender o que estava acontecendo. Atentamente ouviu o pronunciamento do jornalista:
            ─ O empresário Gerson Nogueira e sua amante Lindinalva foram encontrados mortos num quarto de motel no subúrbio, a principal suspeita e esposa da vítima está foragida. Quem souber o paradeiro desta mulher entre em contato pelo disk denúncia.
Enquanto o jornalista falava, a tela era preenchida por uma foto da mulher de Gerson e logo abaixo o número do disk denúncia. Leila sabia que a vítima podia ter sido ela. Ainda sentada permitiu que uma lágrima rolasse pela face, não por comoção, mas por medo e raiva por ter sido traída por Gerson com a vigarista Lindinalva. Tantos anos trabalhando juntas e nunca havia desconfiado de nada. Porém uma dúvida bailava em sua mente: será que Lindinalva sabia do caso dela com Gerson? Esta era uma pergunta que nunca teria resposta. Por fim Leila respirou pausadamente e falou:
            ─ Bem feito! ─ Ensaiou um sorriso, pegou o telefone e marcou um encontro com Orlando que ficara emocionado. Depois tomou um banho, vestiu a melhor roupa e saiu para o encontro. Só então decifrou a mensagem da Cigana: Perder para vencer! Para ela ganhar a felicidade e a liberdade era preciso perder o homem que pensava amar.
Antônio dos Anjos, mais conhecido por Viola, é escritor, poeta e presidente da Academia Afogadense de Letras.

1 de novembro de 2011

Nômades do Espaço #1


Em uma bela noite estrelada, um garoto contemplava o céu. Sua pouca idade permitia imaginar, coisas que um adulto não imaginária. Como guerras espacias, naves e talvez ele um dia pilotando uma delas. Ele só pensava nisso ultimamente, pois tinha lido uma história em quadrinho velha que achará no porão. Hoje em dia, enredos não falam mais sobre o universo com a mesmo vigor. Parece que o homem que se diz moderno perdeu a vontade de conquistar as estrelas. Agora só existem enredos sobre fim do mundo e zumbis.

Mas zinho não desistia das estrelas, queria estar mas perto delas. No tempo de seus pais e avós diziam que em 2015 os carros iriam voar, mas na época de Zinho diziam que em 2012 o mundo iria acabar. Triste o futuro de Zinho. E 2012 chegou. Todos pensaram que era bobagem o fim do mundo. Porém uns certos alienigênas apareceram dizendo coisas como:"Pode parando com essa m*4da, o planeta é nosso agora." Os humanos pensaram que eles atacariam a terra com armas lasers e tudo mais...No entanto a uni coisa que os e.ts mostraram foi um papel escrito em todas as línguas humanas, e um ziguiana. Aquele papel era um documento declarando que o planeta era deles. Eles disseram que o planeta estava sendo alugado pelos Maias, mas eles tinham deixado de pagar faz algumas centenas de anos e contrato ia até 21/12/ 2012.


Todos os lideres tentaram achar formas de provar que o planeta era nosso. Mas os alienigenas respondiam: Essa p#44a não vale nada para o conselho intergalático. Mas um cientista perguntou se haveria algum modo de comprar o plante Terra.


Um dos ETs que parecia ser o líder respondeu: Traga 7 pedras uma de cada galaxia descrita nesse mapa. Quando fizer isso o planeta será seu de novo.
E então os humanos responderam que não tinham como viajar pro espaço. Os alienigenas responderam: Mas são pobre memo Hein...Nós emprestamos uma nave.


Estava tudo preparado para os humanos partirem. Só que um cientista chmado Dr. Rupert fez alguns cálculos e percebeu que seria impossivel, ir até todos esses planetas e voltar em menos de 180 anos, então mandou crianças na nave para que elas pudessem crescer e se multiplicar no espaço. E advinha quem estava entre essas crianças: Zinho!


Será que eles conseguiram salvar o mundo? Será que os alienigenas cuidarão bem da Terrao ou escravisarão os humanos? Será que Dr. Ruppert se curará de sua emorróida? Veja no próximo episódio de...Nomades do Espaço. Crie o próximo episódio é só clikar  aqui

31 de outubro de 2011

O Alquimista do Espaço

Entre o final da idade média e começo da renascencia, numa floresta uma bola de fogo cai do céu. Alguns diziam que era um Dragão. Mas um homem saiu diante do fogo, o homem desmaia.

Momentos depois ele acorda num vilarejo. Perguntaram quem era seu nome, ele disse que se chamava Leonardo. Leonardo viveu como um ferreiro naquele vilarejo. Mas muitos desconfiavam dele. De onde ele veio?

Um garoto do vilarejo resolveu perguntar: "Senhor Leonardo, o senhor é filho de um dragão?". O ferreiro respondeu: "Não eu estava lutando com ele, e parece que fui vencido"

"Então os dragões existem?" disse o garoto.

O ferreiro estava um incomodado com as perguntas do menino mas respondeu: "Sim...Olha garoto eu não sou um ferreiro como você pensa...Eu sou um alquimista"

Garoto: Você pode salvar minha familia?

Ferreiro: O que?

Garoto: Minha família foi dominada pela peste.

Ferreiro: Se você disser onde está a minha nave...quer dizer o meu Dragão. Eu ajudo sua família.

Os dois foram até o local do suposto Dragão. Mas ele já não estava mais lá. Enquanto isso no castelo, o bispo conversava com o rei.

Rei: Que armas são essas meu bispo.

Bispo: Eu encontrei no local onde os camponeses dizem ter encontrado um dragão.

O Bispo apontou para uma nave extraterrestre. E falou esse é o corpo do dragão.

Rei: Esse não parece o dragão das lendas que eu conheço.

Bispo: É porque não é. Você não percebe isso é uma carruagem de guerra.

Rei: Parece até uma maquina voadora.

Bispo: Você não percebe. Estão querendo invadir o nosso reino.

Rei: Temos que descobrir, quem veio nessa carruagem de guerra.


Enquanto isso no vilarejo o ferreiro procurava um astrônomo. Mas todos já sabiam que o ferreiro podia curar as pessoas. Então só respondiam onde havia uma astrônomo depois que o ferreiro os curava. Porém os astrônomos que o ferreiro consultava diziam que a Terra era o centro do universo.

Mas logo chegou uma noticia até o rei: "Maria louca está curada!"

Rei: Mas como?

Bobo da corte: Dizem que foi um ferreiro. Um ferreiro misterioso, alguns dizem que ele chegou até nossas terras montado num Dragão.

Bispo: É ele...

Rei: Sim. O homem que veio na máquina voadora, deve ser um bruxo. Que atacar o nosso reino.

Bispo: Temos que queima-lo na fogueira.

Mas Leonardo o ferreiro já estava longe. Tinha finalmente achado um alquimista astrônomo que acreditava que a Terra não era o centro do universo.

O astrônomo se chamava Galileu.

O ferreiro disse: Você que diz que a Terra não é centro do universo?

O astrônomo: Pois é. E Agora eles me prenderam na minha própria casa, e querem me levar pra fogueira.

Ferreiro: Esses humanos...

Galileu: O que disse?

Ferreiro: Eu sou de outro planeta. E quero que o senhor fale qual é a localização da Terra no universo.

Galileu: Essa gripe está me matando eu devo estar delirando. Você disse que veio do espaço, que ervas você está colocando no seu cachimbo?

Ferreiro: Não. Eu tô falando sério.

Galileu: olha se eu fosse você ficaria por aqui mesmo. Os humanos são muito primitivos, qualquer coisa que você fale que contraria as pessoas de maior poder te levam pra fogueira. Tenho certeza que sua sabedoria ajudará muito a nosso povo.

O Ferreiro voltou para o seu vilarejo mas era tarde de mais os guardas da inquisição o pegaram. Felizmente quando ele estava na fogueira, lembrou que sempre levava uma capsula de teletransporte que trouxera de seu planeta na sua bolsa. Usou a capsula, o problema é que aquela capsula poderia leva-lo pra qualquer lugar no tempo espaço, ele poderia parar no meio de um buraco negro ou até do seu lado que está lendo isso no seu P.C.

Mas o mago ferreiro parou alguns anos antes, numa casa em Florença. Ficou lá escrevendo as coisas de seu planeta, desde invenções até quadros. Até morrer usou o nome de Leonardo di Ser Piero da Vinci ou apenas Leonardo da Vinci.




Autor: Allan Salles Ribeiro da Silva
31 de outubro de 2011







28 de outubro de 2011

A Estrela



Arthur C. Clarke

Estamos a 3.000 anos-luz do Vaticano. Um dia, acreditei que o espaço não tinha poderes sobre a fé, assim como acreditava que os céus proclamariam a glória da obra de Deus. Agora, já vi essa obra e minha fé se encontra seriamente abalada. Olho para o crucifixo, suspenso na parede da cabine, acima do computador Mark VI, e pela primeira vez em minha vida me pergunto se não será um símbolo vazio.
Ainda não contei a ninguém, mas a verdade não pode ser escondida. Os fatos estão lá para todos lerem, registrados em quilômetros sem conta de fita magnética e nos milhares de fotografias que transportamos de volta à Terra. Outros cientistas poderão interpretá-las tão facilmente quanto eu, e não serei eu quem vai compactuar em ocultar a verdade, fato quase sempre responsável pela má fama da nossa ordem nos velhos dias.
A tripulação já se encontra suficientemente deprimida e não sei como eles aceitarão esta ironia final. Poucos dentre eles possuem qualquer tipo de fé religiosa e, no entanto, não encontrarão prazer em usar essa arma final em sua campanha contra mim. Aquela guerrinha particular, bem-humorada, mas de fundamental importância, que transcorreu durante todo o caminho desde a Terra. Eles achavam divertido ter um jesuíta como astrofísico-chefe: o Dr. Chandler, por exemplo, nunca se acostumou com isso (por que será que os médicos são tão ateus?). Algumas vezes ele me encontrava no convés de observação, onde as luzes eram sempre reduzidas, de modo a que as estrelas pudessem brilhar em toda a sua glória. Ficava ao meu lado na penumbra, olhando através da grande janela oval para os céus que se moviam lentamente à nossa volta, enquanto a nave girava, com a rotação residual, que nunca nos incomodaríamos em corrigir.
- Bem, padre – dizia ele, afinal -, parece prolongar-se para sempre, não? Talvez alguma coisa o tenha criado. Mas como pode acreditar que essa alguma coisa tenha um interesse especial por nós e nosso mundinho miserável, nunca poderei entender.
E a discussão começava enquanto, lá fora, estrelas e nebulosas giravam em seus arcos eternos e silenciosos, além do plástico claro e sem falhas da vigia de observação.
Acredito que, em grande parte, era a aparente incongruência de minha posição que fazia a tripulação achar a coisa tão divertida. Seria inútíl eu chamar a atenção para os meus três artigos publicados no jornal de Astrofísica ou os cinco no Noticias Mensais da Real Sociedade Astronômica. Lembrava-lhes que a minha ordem era famosa há muito tempo por seus trabalhos científicos. Nós podemos ser poucos agora, mas desde o século XVIII temos feito contribuições à astronomia e à geografia que parecem fora de proporção com o número de nossos quadros. Será que meu relatório sobre a nebulosa Fênix vai pôr fim a nossos mil anos de história? Porá fim, receio, a muito mais que isso.
Não sei quem deu esse nome à nebulosa, que me parece muito inadequado. Se contém alguma profecia, é coisa que não será verificada durante vários bilhões de anos. Mesmo a palavra nebulosa é um engano: trata-se de um objeto muito menor do que aquelas estupendas nuvens de poeira – a matéria-prima das estrelas ainda por nascer – que se espalham ao longo da Via-Láctea. Na escala cósmica, de fato, a nebulosa Fênix é algo pequeno – uma tênue concha de gás envolvendo uma única estrela…
Ou o que sobrou de uma estrela …
O retrato de Loyola feito por Rubens parece zombar de mim, suspenso ali, acima dos registros do espectrofotômetro. O que tu terias feito, padre, com este conhecimento que veio às minhas mãos, tão longe do pequeno mundo que foi todo o universo que conheceste? Teria tua fé se erguido ante o desafio onde a minha falhou?
Teu olhar se perde na distância, padre, mas eu viajei por uma distância além de qualquer uma que pudeste ter imaginado ao fundar a nossa ordem, há mil anos. Nenhuma outra nave de pesquisa esteve tão longe da Terra. Encontramo-nos nas fronteiras do universo explorado. Partimos para encontrar a nebulosa Fênix, tivemos sucesso e agora voltamos com o peso de nossos conhecimentos. Quisera eu poder erguer esse peso dos meus ombros, mas é em vão que te chamo através dos séculos e anos-luz que nos separam.
No livro que seguras, as palavras são nítidas:
AD MAIOREM DEI GLORIAM, diz a mensagem, mas é uma mensagem em que não mais posso crer. Poderias ainda acreditar nela se pudesses ver o que encontramos?
Nós sabíamos, é claro, o que era a nebulosa Fênix. Apenas em nossa galáxia, a cada ano, mais de 100 estrelas explodem, queimando durante algumas horas ou dias com milhares de vezes o seu brilho normal antes de mergulharem na morte e na obscuridade. Essas são as novas normais, desastres comuns no universo. Já gravei espectrogramas e curvas de luminosidade de dúzias delas, desde que comecei a trabalhar no observatório lunar.
Mas três ou quatro vezes a cada mil anos ocorre alguma coisa, ao lado da qual até mesmo uma nova empalidece na total insignificância.
Quando uma estrela se torna supernova, ela pode brilhar brevemente mais que todos os sóis reunidos na galáxia. Os astrônomos chineses observaram isso acontecer no ano 1054 d.C. sem conhecerem a razão do que viam. Cinco séculos depois, em 1572, uma super-’ nova explodiu na constelação de Cassiopéia, tão brilhante que podia ser vista à luz do dia. E houve mais três durante os mil anos que se passaram desde.então.
Nossa missão era visitar o remanescente de semelhante catástrofe, tentando reconstruir os eventos que haviam conduzido a ela para, se possível, aprender sua causa. Entramos lentamente através das conchas concêntricas de gás que haviam sido lançadas para fora há seis mil anos e ainda se expandiam. Ainda estavam imensamente quentes, irradiando mesmo agora numa violenta luz violeta, mas eram demasiado tênues para nos causar qualquer dano. Quando uma estrela explode, suas camadas externas são impulsionadas para fora com tamanha velocidade que escapam completamente ao seu campo gravitacional.
Agora formavam essa concha oca, grande o suficiente para envolver mil sistemas solares. Em seu centro queimava o objeto pequeno e fantástico em que a estrela se tornara. Uma anã branca, menor do que a Terra e no entanto pesando um milhão de vezes mais.
As conchas de gás luminoso nos envolviam banindo a noite normal do espaço ínterestelar. Voávamos para o centro de uma bomba cósmica que detonara há milênios, e cujos fragmentos incandescentes ainda se expandiam. A imensa escala da explosão e o fato de que os resíduos já cobriam um volume de espaço com muitos bilhões de quilômetros de diâmetro roubavam à cena qualquer movimento visível. Levaria décadas para que a visão pudesse discernir qualquer movimento nesses tortuosos filamentos e redemoinhos de gás. E, no entanto, o sentimento de uma expansão turbulenta era irresistível.
Havíamos verificado nossa direção básica horas atrás e agora flutuávamos lentamente rumo à pequenina e fogosa estrela à nossa frente. Ela já fora um sol como o nosso, mas consumira em algumas horas toda a energia que a teria mantido brilhando por um milhão de anos. Agora se tornara avarenta e encolhida, reunindo seus recursos como se tentasse compensar os excessos de uma juventude perdulária.
Ninguém esperava seriamente que pudéssemos encontrar planetas. Se houvesse existido algum antes da explosão, teria sido cozido em sopros de vapor e sua substância dissolvida em meio aos resíduos da estrela. Ainda assim fizemos a busca automática, como sempre fazemos ao nos aproximarmos de um sol desconhecido. Dentro em pouco localizamos um mundo pequeno, circundando a estrela a imensa distância. Ele devia ter sido o Plutão desse desaparecido sistema solar, orbitando nas fronteiras da noite. Demasiado afastado do sol central para jamais ter conhecido a vida, sua distância salvara-o do destino que consumira todos os seus companheiros.
A passagem do fogo queimara suas rochas, dissolvendo o manto de gás congelado que devia cobri-lo nos dias anteriores ao desastre. Nós pousamos e descobrimos a Cripta.
Seus construtores se haviam assegurado de que isso ocorreria. O marco monolítico erguido acima da entrada não passava agora de um toco fundido, mas mesmo nossas fotos de longa distância já nos revelavam existir ali o trabalho de uma inteligência. Pouco depois detectamos o padrão de radioatividade, amplo como um continente, que fora embutido na rocha. Mesmo que o pilar acima da Cripta tivesse sido destruído, essa energia teria permanecido, um eterno e irremovível farol acenando para as estrelas. Nossa nave mergulhou como uma flecha em direção a esse gigantesco alvo.
O pilar devia ter uma altura de I,5 km quando foi construído. Agora parecia uma vela que se derretera até formar um monte de cera. Levamos uma semana para perfurar a rocha fundida, já que não tínhamos ferramentas adequadas para essa tarefa. Éramos astrônomos, não arqueólogos, mas podíamos improvisar. Nosso propósito original fora esquecido: esse monumento solitário, erguido com tamanho esforço à maior distância possível do sol condenado, só poderia ter um significado. Uma civilização que tinha consciência de seu fim próximo fizera ali seu último apelo à imortalidade.
Examinar todos os tesouros depositados na Cripta será trabalho para gerações. Eles tiveram muito tempo para se preparar, já que seu sol deve ter dado os primeiros avisos muitos anos antes da detonação final. Tudo o que desejavam preservar, todos os frutos de seu gênio, eles depositaram ali, naquele mundo distante, dias antes do fim, na esperança de que alguma outra raça os encontrasse, para que não fossem inteiramente esquecidos. Teríamos nos portado desse modo? Ou teríamos nos perdido em nossa própria autocomiseração, incapazes de pensar num futuro que nunca poderíamos ver ou compartilhar?
Se ao menos eles tivessem tido um pouco mais de tempo … Podiam viajar livremente entre os planetas de seu próprio sol, mas ainda não haviam aprendido a cruzar os golfos interestelares, e o sistema solar mais próximo encontrava-se a 100 anos-luz de distância. Mas mesmo que possuíssem o segredo do impulso transfinito, não mais que uns poucos milhões poderiam ter sido salvos. Talvez tenha sido melhor assim.
Mesmo que eles não fossem tão perturbadoramente humanos, como revelam suas esculturas, não poderíamos deixar de admirá-los e lamentar seu destino. Eles deixaram milhares de registros visuais, juntamente com minuciosas máquinas para projetá-los. Havia instruções ‘pictóricas, de modo que não fosse difícil aprender a sua linguagem escrita. Temos examinado muitas dessas gravações, trazendo de volta à vida, pela primeira vez em seis mil anos, todo o calor e a beleza de uma civilização que, em muitos aspectos, deve ter sido bem superior à nossa. Talvez eles tenham deixado apenas seu lado melhor, mas ninguém poderá condená-los por isso. Seus mundos, contudo, eram adoráveis e suas cidades, erguidas com uma graça que iguala qualquer coisa já feita pelo homem. Nós os observamos no trabalho e nas diversões, ouvimos sua linguagem musical soando através dos séculos. E uma cena permanece ante meus olhos. Um grupo de crianças numa praia de estranha areia azul, brincando nas ondas como as crianças brincam na Terra. Há uma fileira de árvores exóticas, que lembram chicotes, ao longo da praia, e algum animal muito grande aparece, atravessando os baixios, sem atrair atenção.
Mergulhando no mar, ainda cálido e generoso, vemos o sol que logo se tornaria traidor, apagando toda essa felicidade inocente.
Talvez se não estivéssemos tão longe de casa, e portanto tão vulneráveis à solidão, não ficássemos tão profundamente comovidos. Muitos de nós já observaram as ruínas de antigas civilizações em outros mundos, mas elas nunca nos afetaram tão profundamente. Essa tragédia era única. Uma coisa é uma raça falhar e morrer, como nações e culturas já o fizeram na Terra. Mas ser destruída tão completamente, em pleno ápice de seu desenvolvimento, sem deixar qualquer sobrevivente – como tal coisa poderia conciliar-se com a misericórdia divina?
Meus colegas já perguntaram isso e eu dei as respostas que pude. Talvez tivesses feito melhor, padre Loyola, mas nada encontrei no Exercitia Spiritualia que me ajudasse nessa tarefa. Eles não eram gente má: não sei que deuses adoravam, se é que adoravam algum. Mas tenho olhado para eles através do abismo dos séculos e vi a beleza que preservaram em seu último esforço sendo de novo trazida à luz de seu sol encolhido. Eles poderiam ter-nos ensinado tanto. Por que foram destruídos?
Conheço as respostas que meus colegas darão quando estiverem de volta à Terra. Dirão que o universo não possui propósito ou plano, e que de vez que 100 sóis explodem, a cada ano, em nossa galáxia, neste exato momento alguma raça está morrendo nas profundezas do espaço. Se essa raça fez o bem ou o mal durante sua existência, não faz qualquer diferença no final. Não há justiça divina porque não existe Deus.
É claro que o que vimos não prova nada disso. Qualquer um que assim afirme está sendo influenciado pela emoção, não pela lógica. Deus não necessita justificar suas ações perante o Homem. Ele, que construiu o universo, pode destruí-lo quando quiser. Constitui arrogância – perigosamente próxima da blasfêmia – pensar que podemos dizer o que Ele pode ou não fazer.
Isso eu teria aceito, não importando quão dolorosa fosse a perspectiva de mundos inteiros, juntamente com seus povos, sendo lançados em fornalhas. Mas chega um ponto em que até mesmo a mais profunda fé pode vacilar, e agora, quando olho para os cálculos colocados diante de mim, percebo que afinal cheguei a esse ponto.
Não podíamos dizer, antes de alcançar a nebulosa, há quanto tempo ocorrera a explosão. Agora, partindo da evidência astronômica e dos registros nas rochas daquele único planeta sobrevivente, fui capaz de datá-la com precisão. E sei em que ano a luz desse incêndio colossal chegou à Terra. Sei o quanto essa supernova, cujo cadáver agora se apaga atrás de nossa nave em aceleração, deve ter brilhado nos céus da Terra. Sei como deve ter fulgurado, baixa sobre o horizonte do leste, antes do nascer do Sol, como um farol na alvorada oriental.
Não pode haver mais dúvida. O mistério ancestral foi finalmente solucionado. E no entanto, ó Deus!, havia tantas estrelas que poderias ter usado. Qual a necessidade de lançar essas pessoas ao fogo para que o símbolo de sua morte pudesse brilhar acima de Belém?

O Escaravelho de Ouro

Allan Poe - CONTOS (O Escaravelho de Ouro)

26 de outubro de 2011

A Princesa com Cabeça de Porco



Oisin (também escrito Ossian), o lendário herói céltico e poeta, casa-se com uma princesa que, através de uma magia druida foi amaldiçoada a ter cabeça de porco.
Cruz celta
Havia um rei em Tir na n-Og (Terra da Juventude), que ocupava o trono e a coroa por muitos anos contra todos os que a cobiçavam.  E a lei do reino era que a cada sétimo ano, os campeões e melhores homens do país deveriam concorrer ao cargo de rei. Uma vez a cada sete anos, todos se reuniam na frente do palácio e corriam para o alto de uma colina duas milhas distante. No topo da colina tinha uma cadeira, e o homem que conseguisse sentar na cadeira primeira, seria o rei de Tir na n-Og pelos próximos sete anos.Depois que ele governou durante eras, o rei começou a ficar ansioso. Ele tinha medo que alguém pudesse se sentar na cadeira diante dele e tomar a coroa de sua cabeça. Então, um dia ele chamou seu druida e perguntou: “Por quanto tempo devo ficar nessa cadeira para governar esta terra, e se algum homem sentar-se nela antes de mim e tomar a coroa da minha cabeça?”
“Você vai manter a monarquia e a coroa para sempre”, disse o druida, “a menos que seu próprio genro as tire de você.”
O rei não tinha filhos, mas uma filha, mas, a mais bela mulher em Tir na n-Og; e o igual a ela não podia ser encontrar em Erin ou qualquer reino do mundo. Quando o rei ouviu as palavras do druida, ele disse, “Eu nunca vou ter um genro, porque eu vou deixar a minha filha de um jeito que nenhum homem irá se casar com ela.”
Então ele pegou uma vara druida  mágica, e chamando a filha diante de si, ele a golpeou com a vara, e colocar uma cabeça de porco em seu no lugar da cabeça dela.
Então ele mandou a filha de volta para o seu canto no castelo, e voltando-se para o druida “Não há homem na Terra que vá querer se casar com ela agora.”
Quando o druida viu o rosto que estava na princesa, a cabeça de porco que o pai tinha lhe dado, ele ficou muito triste por ter dado essa informação ao rei, e algum tempo depois ele foi ver a princesa.
“Devo ficar assim para sempre?” perguntou ela para o druida?
“Você precisa”, disse ele, “até que você se casar com um dos filhos de Fin MacCumhail em Erin. Se você se casar um dos filhos de Fin, você estará livre da mancha que está em você agora, e voltar a ter sua própria cabeça e rosto. “
Quando ouviu isso, sua mente ficou impaciente, e nunca descansou até que ela deixou Tir na n-Og e foi para Erin. Quando ela perguntou das pessoas, ouviu que Fin e os fenianos de Erin estavam naquele tempo vivendo em Knock an Ar, ela se dirigiui para o local imediatamente e viveu lá por um tempo. E quando ela viu Oisin, ele agradou a ela, quando ela descobriu que ele era um filho de Fin MacCumhail, a quem ela estava sempre observando, ela correu em sua direção. E era usual para os fenianos naqueles dias sair para caçar nas colinas, montanhas e nas florestas de Erin, e quando um deles ia,  sempre levava cinco ou seis homens com ele para trazer para casa o prêmio.
Um dia Oisin saiu com os seus homens e cães para a floresta, e ele foi tão longe e matou tanta caça que, quando tudo foi reunido, os homens estavam tão cansados, fracos e famintos que não podiam levá-lo, mas foram embora, deixando-o com os três cães, Bran, Sciolán e Buglén, para cuidar de tudo sozinho.
Agora a filha do rei de Tir na n-Og, que era a própria rainha da Juventude, seguia de perto a caçada por todo o dia, e quando os homens deixaram Oisin ela foi até ele. Ele estava lá,  olhando para a grande pilha de caça e dizendo: “Lamento muito deixar para trás tudo o que eu tive o trabalho de matar”, ela olhou para ele e disse: “Amarre um pacote para mim, eu vou levá-lo para alivar a carga de você. “
Oisin deu-lhe um pacote de caça para carregar, e pegou o restante. A noite estava muito quente e o fardo pesado, e depois de terem caminhado a alguma distância, Oisin disse: “Vamos descansar um pouco.”
Ambos jogaram as suas cargas, e se encostaram contra uma grande pedra que estava à beira da estrada. A mulher estava suada e sem fôlego, e abriu seu vestido para refrescar-se. Então Oisin olhou e viu a sua forma bonita e seu seio branco.
“Ah, então”, disse ele, “é uma pena que você ter uma cabeça de porco em você, pois eu nunca vi tal aparência de uma mulher em toda a minha vida antes.”
“Bem”, disse ela, “meu pai é o rei de Tir na n-Og, e eu era a mais requintada mulher do seu reino e o mais bela de todos, até que ele me jogou uma magia druida e deu-me a cabeça de porco que está em mim agora no lugar da minha própria.  E o duida de Tir na n-Og veio falar comigo depois e me disse que se um dos filhos de Fin MacCumhail se casasse comigo, a cabeça do porco iria desaparecer, e eu deveria voltar a ter meu rosto da mesma forma como era antes, antes de meu pai me surpreender com a varinha do druida. Quando eu botei isso na cabeça, não parei até que cheguei a Erin, onde encontrei o seu pai e te escolhi dentre os filhos de Fin MacCumhail, e te segui para ver se você vai se casar comigo e me libertar. “
“Se esse é o estado em que você está, e se o casamento comigo vai te libertar do feitiço, eu não vou deixar a cabeça de porco em você por muito tempo.”
Então eles se casaram sem demora, não esperando para levar a caça para ou para tirá-la do chão. Naquele momento a cabeça de porco desapareceu, e a filha do rei, tinha o mesmo rosto e a beleza que ela tinha antes de seu pai lhe deu um soco com a varinha druida.
“Agora”, disse a Rainha da Juventude para Oisin, “Eu não posso ficar aqui muito tempo, e a menos que você venha comigo para Tir Na n-Og nós devemos nos separa.”
“Oh”, disse Oisin, “onde quer que você vá eu vou, e sempre que você voltar, eu vou te seguir.”
Então ela virou-se e Oisin a acompanhou, não voltando para Knock an Ar para ver seu pai ou seu filho.  Naquele mesmo dia, eles partiram para Tir na n-Og e não pararam, até que chegou ao castelo do pai dela.  E quando eles chegaram, já hvia uma recepção,  pois o rei pensou que sua filha estava perdida.
Nesse mesmo ano houve a escolha de um rei, e quando o dia marcado chegou no final do sétimo ano, todos os grandes homens e os campeões, e o próprio rei, se reuniram na frente do castelo para correr e ver quem deve ser o primeiro a sentar na cadeira na colina.  Mas antes que qualquer um deles estivesse na metade do morro, Oisin já estava sentado na cadeira antes dele.
Após esse dia, ninguém se levantou para correr Oisin, e ele passou muitos anos felizes como rei em Tir no n-Og.
Fonte: Jeremiah Curtin, Myths and Folk-Lore of Ireland (mitos e folclore da Irlanda) (Boston: Little, Brown and Company, 1890), pp. 230-233.
Fontes – Site:
Livro completo (em inglês):
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